Perdigão anuncia receita de R$ 1,8 bilhão
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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2000
Por Rosangela Capozoli 
São Paulo, 29 (AE) - A Perdigão obteve uma receita bruta de R$ 1,8 bilhão no ano passado, 27,3% superior ao ano fiscal anterior. O mercado interno respondeu por R$ 1,3 bilhão e as exportações totalizaram R$ 517 milhões, significando 28,7% do faturamento total. As vendas ao mercado externo aumentaram 68,4% no ano.
O resultado foi divulgado hoje pelo vice-presidente financeiro da empresa, Wang Wei Chang. Investimento em inovações tecnológicas e desenvolvimento de novos produtos foram os fatores apontados como responsáveis pelo bom desempenho da empresa. "A capacidade de tomar decisões rápidas também foi importante, se considerarmos que o cenário na economia foi de ajustes, acréscimos de custos e decréscimo expressivo nos preços dos produtos nos dois mercados", afirmou.
Segundo Chang, o desempenho no último trimestre foi o grande destaque; naquele período a Perdigão faturou R$ 530,1 milhões, com acréscimo de 28,9% sobre o mesmo período do ano anterior. O último trimestre também foi o melhor em lucratividade: R$ 35,5 milhões.
Ao longo do ano a margem líquida sofreu um ligeiro declínio, ficando em 3%; o lucro líquido foi de R$ 47,162 milhões, contra R$ 62,438 milhões em 1998. A queda, segundo Chang, foi atribuída às dívidas em dólares, que foram mantidas ao longo do ano, levando-se em conta que haveria estabilização da moeda.
Investimentos - A Perdigão investiu R$ 190 milhões no ano passado, cifra 44,1% superior à de 1998; desse investimento, 68,6% foram absorvidos no complexo agroindustrial que está sendo construído em Rio Verde (Goiás). As operações deverão ter início em julho deste ano. O restante foi direcionado a programas de logística e modernização do parque industrial.
Em 2000, a Perdigão irá investir R$ 218 milhões. Desse montante, R$ 100 milhões serão aplicados no Projeto Rio Verde, outros R$ 40 milhões serão absorvidos pelo Frigorífico Batavo e mais R$ 40 milhões aplicados em lançamentos de novos produtos. O setor de marketing será contemplado com R$ 38 milhões ante os R$ 33 milhões desembolsados no ano passado.
No ano passado foram gerados 1.457 empregos. Hoje a Perdigão conta com 16.650 funcionários. Vendas internas e externas A Perdigão obteve crescimento de 15 9% nas vendas internas no ano passado sobre o anterior. As vendas de produtos de maior valor agregado atingiram uma participação de 23% ante 22% no exercício anterior. O segmento de congelados subiu de 30% para 31%, Já os pratos prontos congelados de massa tiveram uma participação expressiva, atingindo 26,4%.
As exportações superaram as expectativas, encerrando o ano com uma cifra de R$ 517 milhões, aumento de 68,4% sobre o período anterior. O volume total de carnes exportadas aumentou 22%. Chang explicou que a Perdigão produziu no ano passado 587 mil toneladas de frigorificados (carnes), 11% a mais que no ano anterior. Desse total, 372 mil foram consumidos no mercado interno e as outras 215 mil toneladas exportadas.
"Tanto as exportações quanto as vendas no mercado interno deverão crescer entre 10% e 12% neste ano", afirmou. Chang explicou que o preço médio em 1999 aumentou 4,3% sobre o anterior, enquanto os custos tiveram uma variação entre 8% e 9%. Já no mercado externo o preço médio subiu entre 38% e 40% e o custo médio aumentou entre 12% e 13%. A seu ver, as margens de lucro no mercado interno deverão ficar superior este ano em relação ao externo considerando a estabilização cambial. Questionado sobre possíveis reajustes de preço este ano, ele afirmou que deverão ficar abaixo do índice estimado de inflação, de 6% a 7%.
Pizzas - O diretor de marketing da Perdigão, Antonio Zambelli, disse que a empresa investiu R$ 20 milhões na produção de pizzas prontas congeladas, que estará nas gôndolas dos supermercados a partir do final de abril. A produção estimada é entre 4,5 e 5 mil pizzas/hora e a intenção da empresa é abocanhar neste primeiro ano 15% das 20 mil toneladas de pizzas congeladas, produção estimada para o ano 2000. No ano passado foram consumidas 15 mil toneladas de pizzas congeladas prontas.
O novo produto será fabricado na fábrica de Lages (Santa Catarina), onde são produzidas também lasanha, panqueca e nhoque. Segundo Zambelli, o produto deverá chegar no mercado custando em torno de R$4,50 nos sabores de muzzarela, calabresa e ainda está em estudo o terceiro sabor. Pelas contas de Zambelli, o mercado de pratos prontos tem crescido entre 30% e 40% ao ano.


