Os preparativos para a festinha de formatura dos alunos da pré-escola em uma escola particular de Cambé (Norte) acabaram deixando trágicas consequências na vida da professora Carla (nome fictício). Ao subir em uma escada para pendurar parte do cenário da celebração no ginásio de esportes, a educadora se desiquilibrou e caiu de uma altura de três metros. O acidente rendeu fraturas nas duas pernas e dois pés, seis meses sem poder andar e sequelas que a impediram de voltar a dar aulas para crianças.
''Nos eventos, as professoras tinham de realizar tarefas que deveriam ser feitas por uma empresa especializada em decoração de festas, porque o ginásio de esportes era grande. Acabei tendo toda a minha vida prejudicada pelo desvio de função'', afirma ela, que não quis se identificar por medo de represálias.
Durante o ano em que permaneceu afastada da escola, em tratamento, a educadora recebeu apoio financeiro da instituição. Quando voltou ao trabalho readaptada na função de auxiliar de coordenação, passou o ano de estabilidade garantido pela lei realizando funções como tirar fotocopias e atender telefones, apesar da graduação e especialização na área de pedagogia. ''Eu me sentia pressionada a pedir demissão, mas precisava do trabalho e me submeti ao serviço'', conta.
A decisão não resultou na garantia do emprego. Ao final do período de estabilidade, ela foi demitida. ''Me disseram que eu era inteligente e teria outras oportunidades. Se o lugar onde me acidentei não me deu oportunidades, onde mais eu iria conseguir trabalho?'', questiona. Atualmente, ela dá aulas duas vezes por semana numa faculdade. Teve os rendimentos diminuídos e o sonho de trabalhar com alfabetização de crianças abortado. ''Perdi minha profissão'', lamenta.
Vivendo numa rotina de dores e limitações, ela afirma que, quando subiu na escada, estava ciente que corria perigo.''Mas sabia também que os professores que falam muitos ''nãos'' acabam demitidos. É uma pressão psicológica muito forte'', denuncia. (C.A.)

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