Perdemos um ano nessa brincadeira
Londrina - A dona de casa Margarida Doraci Antônio Paula, de 73 anos, conta que usa medicamentos genéricos há oito anos, quando substituiu um anticoagulante de referência que utilizava por um genérico. Ela relata que ela e a filha usam outros genéricos com frequência em busca de preços mais acessíveis. "O efeito é o mesmo. Nunca senti diferença. Faço exames todo mês e está tudo certo", garante.
Por outro lado, o pai de um adolescente da região de Londrina, entrevistado pela FOLHA, disse que perdeu a confiança nos genéricos. Ele relata que o psiquiatra prescreveu uma medicação para o jovem, que foi diagnosticado com autismo, e a família a princípio recorreu ao genérico. De um ano para cá, o adolescente apresentou um quadro de muita instabilidade, até o ponto em que se tornou necessário escolher: ou aumentar a dosagem ou tentar substituir o genérico pelo medicamento de referência. A família optou pela segunda alternativa e rapidamente sentiu a diferença.
"Do segundo dia em diante, foi visível a mudança. Nós perdemos um ano nessa brincadeira. É bom que essa história seja publicada no jornal, porque outros pais podem estar enfrentando uma situação parecida com a nossa", desabafa o pai, que preferiu que seu nome não fosse citado na reportagem. "Não sei dizer se tivemos azar, se compramos (o medicamento) de um lote defeituoso. Mas vou prestar muita atenção nisso de agora em diante. Na dúvida, entre dois medicamentos, vou sempre buscar o de referência."(F.G.)





