Curitiba - Albertina Santos de Lima, 50 anos, é uma das cerca de 40 mil vítimas das separações ocorridas por causa da hanseníase. Ela foi separada da mãe quando tinha apenas 1 ano. A mãe foi internada no Hospital São Roque, em Piraquara. ''Fui criada no Educandário Curitiba e não pude ter contato com ela. Mais tarde, com 7 anos, fiquei sabendo que ela tinha falecido. Então, não tive contato nenhum com a minha mãe, não podia nem visitá-la na instituição'', conta.
Outros personagens dessa triste história são os irmãos Hélio da Silva, 49, Rosa Rodrigues de Souza, 58, e Mirnas Rodrigues Madureira, 50. Além deles, outro irmão, Alípio da Silva, está vivendo no Mato Grosso do Sul. Todos são de Florestópolis (Norte) e desde cedo sofreram preconceito por serem filhos de pais que tinham a doença. Segundo os irmãos, em toda escola por onde passavam ficavam conhecidos como os ''filhos de leprosos''.
Eles contam que primeiro o avô foi internado com a doença. Logo depois, os pais também tiveram que ficar isolados no Hospital São Roque. Com isso, todos vieram do Interior para a Capital. Sozinhos e, sem conhecer ninguém na cidade, foram encaminhados para o Educandário Curitiba. Hélio Silva ressalta que chegou a ser adotado algumas vezes. ''Era estranho, eu passava de família para família. Não criava vínculo. Foi muito difícil. Não conseguia ir para a escola porque era discriminado e, por isso, até hoje sou analfabeto. O que aprendi foi graças à ajuda de muitas pessoas boas. Minhas irmãs se criaram no educandário, mas perdemos totalmente o contato com nossos pais'', relata.
Ex-pacientes
O servidor público Sebastião Pamplona, 60, descobriu a doença na década de 70, mas demorou para obter o diagnóstico correto. ''Fiquei muito mal na época, com apenas 46 quilos. Quando fui parar no hospital achava que tinha morrido e estava no inferno'', relembra, referindo-se às pessoas deformadas que lá estavam internadas.
O diagnóstico também mutilou Francisca da Silva, 56, que hoje coordena o Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan), em Piraquara, na Grande Curitiba. ''Quando fiquei doente, queriam tomar a minha filha e me mandar para o leprosário. Ela foi adotada, mas hoje sou casada e tive outras duas filhas. Sou muito feliz. Depois de muito tempo voltei a entrar em contato com a minha primogênita, mas sabemos que não é a mesma coisa. É um acontecimento que mudou para sempre o nosso relacionamento.''
(R.C.J.)

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