Perdas de trabalhador são significativas
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 03 de janeiro de 2000
Por Liliana Pinheiro 
São Paulo, 02 (AE) - Bancários, metalúrgicos, químicos, comerciários, marceneiros e muitas outras categorias importantes estão novamente com perdas significativas no poder de compra, apesar dos recentes acordos que zeraram o prejuízo acumulado em 12 meses. Por exemplo, os bancários conseguiram reajuste de 5,5% nos salários em setembro. Mas o relógio da inflação continuou correndo e, neste janeiro de 2000, para recompor o valor de seus ganhos, eles deveriam ter novo reajuste, de 4,25%. Esse deverá ser o Índice de Preços ao Consumidor da Fipe, acumulado desde setembro, com inflação de dezembro estimada em 0,5%.
Para os metalúrgicos, químicos e comerciários de São Paulo, com data-base em novembro, o reajuste necessário seria de 2%. Para os marceneiros, com data-base em outubro, o índice seria de 3,13%. Também fecharam acordos salariais com validade a partir de outubro os metalúrgicos de Minas Gerais e do Rio de Janeiro.
É possível também fazer simulações com outros indicadores de preços, e aí o prejuízo aparece como algo bem maior. Por exemplo, pelo IGP-DI, da Fundação Getúlio Vargas, os bancários necessitariam de reajuste não de 4,25%, mas de quase 7%. O IGP-DI acumulou, no ano, alta de 18,52% até novembro, mais do que o do dobro do IPC. Foi o índice utilizado pela Telefônica para calcular o reajuste de tarifas aos consumidores, apesar de nenhum trabalhador ter tido aumento salarial dessa magnitude.
Por enquanto, nenhuma categoria fala em organizar campanhas salariais de emergência. A Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a Força Sindical alertam apenas que os salários voltarão a ser prioridade no ano 2000, depois de cinco anos nos quais a principal bandeira foi a manutenção do emprego. A intensidade com que isso vai ocorrer dependerá do ritmo da inflação.
Se houver queda expressiva nos índices de inflação nos primeiros meses do ano, a tendência é o movimento sindical esperar as datas-base para deflagrar mobilizações. Contudo, se os aumentos continuarem no ritmo dos últimos meses, isso sinalizará para os sindicatos que a meta do governo de inflação de 8% em 2000 será superada. Nesse caso, a mobilização começará junto com a campanha pelo salário mínimo, entre abril e maio.
Estatísticas - O efeito devastador da inflação e do desemprego nos salários já pode ser sentido nas estatísticas sobre renda apresentadas mensalmente pela pesquisa do convênio Seade-Dieese. Em média, os ocupados perderam 4,5% de seus rendimentos em 12 meses. A massa salarial (que leva em conta aumentos ou reduções no emprego e na renda) caiu 4,1% também em 12 meses.
Mesmo depois de grandes negociações, os rendimentos apresentaram quedas expressivas, em todos os segmentos sociais e para todos os trabalhadores, assalariados ou não. Só que os mais pobres, como sempre, tiveram menos armas contra a corrosão de seus ganhos.
O rendimento real dos 10% mais pobres da Grande São Paulo, que era de até R$ 171 em janeiro deste ano, em outubro último havia caído para até R$ 151. Metade dos ocupados ganhavam até R$ 528 em janeiro e em outubro o valor caiu para até R$ 474. No caso dos 10% mais ricos, a oscilação foi menor: eles ganhavam acima de R$ 1.930 em janeiro, e, em outubro, passaram a ganhar acima de R$ 1.924.


