Brasília, 05 (AE) - O nível do emprego formal (trabalhadores com carteira assinada) em 1998 foi o pior dos últimos três anos. Segundo dados divulgados hoje pelo Ministério do Trabalho, 581.753 postos de trabalho foram desativados no ano passado, sendo 437.758 apenas no mês de dezembro. A perda do emprego formal, em dezembro, logo após a crise da Rússia, superou até mesmo a verificada em dezembro de 1997, de 335.646 postos de trabalho, ocorrida em decorrência do violento aumento das taxas de juros promovido pelo governo brasileiro para combater os efeitos da crise asiática.
O péssimo desempenho do mercado formal de trabalho no ano passado fica ainda mais evidente se for comparado com o resultado dos dois anos anteriores. Em 96 a queda do emprego correspondeu a 271.298 postos de trabalho desativados, sendo de apenas 35.731 a perda de postos de trabalho em 97.
Na comparação com o mês de dezembro, a queda do emprego, em 98, foi 30,42% superior à verificada em igual mês de 97 e 56 22% mais elevada que a observada em dezembro de 96.
Na análise feita pelo Ministério do Trabalho os técnicos admitem que o volume das perdas, no mês de dezembro, não pode ser creditado apenas a fatores sazonais. "A queda foi potencializada pelo contexto macroeconômico desfavorável", avaliaram.
No balanço anual divulgado hoje, nenhum setor de atividade econômica apresentou resultado positivo para o emprego formal no ano passado. As maiores perdas ocorreram na indústria de transformação (300.669), construção civil (perda de 64.201 empregos), comércio (57.896), serviços (76.723 ) e agricultura (menos 51.988 postos de trabalho).
No mês de dezembro, a desaceleração do nível de atividade levou o setor de serviços a eliminar 116.676 postos de trabalho. O comércio cortou 46.951 empregos no mês, construção civil, 56.639) e agricultura, 73.364.
Os técnicos do Ministério do Trabalho não explicaram o motivo do desempenho negativo do emprego na construção civil, que vinha apresentando no ano passado índices positivos até o mês de agosto. As quedas acentuadas só voltaram a aparecer a partir de setembro.
"A queda do nível de emprego na construção civil não pode ser explicada integralmente por fatores sazonais, não existindo também correlação com a crise externa", afirmaram os técnicos.

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