Perda de alimentos deve provocar alta de preços no varejo
Vânia Casado
De Curitiba
Os prejuízos acumulados com quatro dias de greve dos cami nhoneiros são ir reversíveis. Os setores mais afe tados foram o transporte de alimentos, principalmente as cargas de perecíveis como carnes, pescados, lácteos e hortifrutigranjeiros. O presidente da Associação Paranaense de Supermercados, Rui Senff, chegou a prever desabastecimento desses produtos nos supermercados já neste final de semana, caso o movimento não fosse suspenso.
A avicultura de corte do Paraná parou totalmente. O setor abate 1,9 milhões de aves por dia e ontem estavam em operação entre 20% e 30% capacidade instalada, atividade restrita aos abatedouros regionais que não dependiam de transporte das estradas principais. As principais indústrias do Estado, como Sadia, cooperativas, Comaves, Batavia estavam com a produção totalmente paralisada, com prejuízos avaliados em R$ 3,25 milhões por dia ou R$ 13 milhões nesses quatro dias. Para movimentar todo o abate de aves no Estado, são necessárias 3.500 viagens de caminhão por dia, calcula a Avipar.
Com a paralisação, os frigoríficos dispensaram cerca de 20 mil funcionários que estavam de braços cruzados por falta de matéria prima para processar. Estima-se um prejuízo de aproximadamente R$ 150 mil, diariamente entre despesas com encargos e salários. As fábricas de ração que geram cerca de 2.000 empregos diretos e indiretos amargaram um prejuízo diário de R$ 1.500,00, disse Athaíde Miranda, técnico da Secretaria da Agricultura que fez o levantamento dos prejuízos. A preocupação que fica, segundo Athaíde é identificar quem vai arcar com esse prejuízo, a indústria o varejo ou o consumidor.
No setor leiteiro, 80% do recebimento de leite ficou comprometido. Os prejuízos aos produtores foram avaliados em R$ 2,6 milhões com o que deixaram de receber dos laticínios. A Batávia, em Carambeí, deixou de receber entre 250 mil a 300 mil litros de leite por dia, durante a greve e a Sudcoop, no Sudoeste passou a receber somente 20% do volume entregue diariamente.
Na Ceasa de Curitiba, o movimento caiu ontem 92%. As Ceasas de Londrina ficaram há dois dias sem movimentação, e de Foz do Iguaçu, três dias sem vender os produtos. As Ceasas de Maringá e Cascavel conseguiram abastecer somente o comércio regional, movimentando 15 toneladas e 11 toneladas de produtos, respectivamente. O presidente da Ceasa, José Lupion Neto alertou os consumidores para uma oscilação forte de preços daqui para frente.





