Londrina - Cerca de 32% da água tratada pela Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) é perdida em Londrina. Esse índice sobe para 59% nas ocupações irregulares, que consistem nos fundos de vale, áreas particulares ou públicas invadidas.
Dados da Companhia Municipal de Habitação (Cohab-Ld) mostram que atualmente existem 52 agrupamentos irregulares, que abrigam aproximadamente 2.300 famílias londrinenses. A Zona Leste é uma das mais críticas, onde cerca de 700 núcleos familiares estão em situação irregular nos bairros Santa Fé, Monte Cristo e Morro do Carrapato.
O presidente da Cohab-Ld, João Verçosa, explica que esses locais na maioria das vezes não oferecem infraestrutura mínima para sobrevivência, como energia elétrica, rede de esgoto e água. Por isso, para ter acesso aos serviços básicos, muitas famílias recorrem a ligações clandestinas e outros tipos de fraudes. E é por essa razão que o índice de perda é maior nessas localidades.
Segundo Verçosa, no passado a Cohab-Ld já chegou a autorizar a ligação de água em ocupações irregulares. ''Antes as autorizações eram frequentes, mas desde 2009 o órgão não faz mais isso. É uma prática proibida'', afirma. Ele justifica que ''a Cohab trabalha para tirar as famílias da situação irregular e, por isso, autorizar a ligação de serviços básicos nesses locais é uma incoerência.''
Para o gerente da unidade industrial da Sanepar em Londrina, Roberto Massami Arai, as fraudes nas ocupações irregulares são uma das maiores causas de perda de água tratada na cidade. ''E justamente nesses locais a atuação é mais difícil'', declara.
A equipe de assistência social da Sanepar realiza visitas nas ocupações irregulares, a fim de conscientizar a população sobre o uso consciente de água. Caso sejam identificadas ligações clandestinas e outros tipos de fraudes, a punição prevista pelo órgão é a aplicação de multas. O valor mínimo para quem for flagrado com ligação clandestina é de R$ 466,20. Para outros tipos de fraudes, a multa é a partir de R$ 227. No ano passado, foram constatadas 774 fraudes na cidade.
Arai lembra que o índice de perda geral registrado em Londrina (32%) é inferior ao registrado nas ocupações irregulares. Desse total, de acordo com ele, 16% referem-se à perda física (vazamentos na rede) e 16% decorrem de perda aparente (fraudes). O gerente afirma que as tubulações e os hidrômetros antigos são responsáveis por uma parcela da perda.
''Os hidrômetros mais antigos não contabilizam o total da água consumida pelo cliente'', explica o gerente, acrescentando que, para resolver o problema, a Sanepar estipulou a meta anual de trocar 4.400 hidrômetros com mais de sete anos de uso. Outra meta é substituir as tubulações antigas. ''Uma extensão de 100 quilômetros de tubulação já foi trocada na Região Central'', observa.
Em 2002, de acordo com ele, o índice de perda era de 44%. ''O número caiu significativamente devido às ações implantadas durante esse período. Caso contrário, estaríamos enfrentando um sério problema de falta de água'', pontua.
Serviço
Casos de vazamento devem ser informados pelo telefone 115.

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