Perda de água tratada chega a 32%
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 29 de março de 2012
Davi Baldussi <br> <br> Reportagem Local 
Londrina - Por dia, a Sanepar capta cerca de 150 milhões de litros de água para abastecimento de Londrina e Cambé, cujas redes são interligadas. Desse número, aproximadamente 50 milhões de litros se perdem no caminho entre o rio ou poço, onde acontece a captação, e as torneiras das residências. É uma perda que acontece antes mesmo da própria população desperdiçar a água.
De acordo com o gerente regional da Sanepar, Roberto Arai, o índice de perda atual na região é de aproximadamente 32% após o tratamento. Ele ressalta que esse número inclui a ''perda aparente'', resultante de ligações ilegais ou de hidrômetros que não fazem medição correta do consumo. A perda aparente corresponde, segundo ele, a aproximadamente metade do índice.
Segundo o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SINS), vinculado ao Ministério das Cidades, os dados mais recentes, de 2009, revelam que o índice de perda no Brasil atualmente é de 41,6% da água tratada. Conforme o SINS um número aceitável seria de 25%.
O ambientalista João Batista Moreira Souza, conhecido como João das Águas, questiona o dado de Londrina. ''Não acredito nesse número (de que metade da perda seja por conta de ligações ilegais). É apenas um chute, desculpa para o pouco investimento na manutenção da tubulação, monitoramento. Não tem como comprovar esse percentual'', aponta.
Arai alega que ''é difícil quantificar quanto a gente perde de fato, fisicamente, por problema de vazamento, ineficiência da tubulação e quanto perde por conta de fraude e ligações clandestinas''. De acordo com ele, a estimativa de que metade da água perdida é resultado de vazamento e outra metade de ligações ilegais é ''mais um cálculo empírico''.
''Claro que vai dar um pouquinho de diferença, mas não foge muito disso'', declara.
Para Arai, o número é aceitável. Segundo ele, Estados do Nordeste chegam a perder 60% até 70% da água captada. ''Perda menor que 15% ou 20% (a gente só) vai encontrar na Europa, Japão''.
Segundo ele, o fato de Londrina não ser uma cidade muito plana contribui para ocorrência de vazamentos. Outro problema, aponta, é a existência de 60 ocupações irregulares, onde ligações clandestinas são comuns.
João das Águas concorda que, perante a realidade nacional, o índice em Londrina é ''aceitável'', mas para ele é necessário um investimento maior e também orientar a população para detectar vazamentos. ''Eu mesmo já detectei vários vazamentos. Se você observar água limpa correndo na galeria pluvial, asfalto molhado em dia sem chuva, indica que há vazamento'', ensina.
O presidente do Instituto Ecometrópole, Luiz Figueira de Melo, avalia que a perda de água mostra a ''ineficiência'' da Sanepar. ''As tarifas continuam aumentando enquanto ocorre esse desperdício. É preciso substituir a tubulação antiga e fazer ações preventivas'', cobra. A ONG, criada em 2010, visa a preservação dos rios e bacias hidrográficas de Londrina.
Segundo o gerente da Sanepar, o tipo de tubulação utilizada em alguns países europeus e no Japão, por exemplo, que permite reduzir o índice de perda de água a percentuais menores do que 15%, não é usado no Brasil. ''Nós estamos em um país em desenvolvimento, tem que aplicar materiais com custo econômico menor, para que o produto, para que o investimento, seja compatível. Acontece isso e a gente vai convivendo com essa situação, fazendo essas pesquisas, trocando um tubo aqui, eliminando vazamento, ligação clandestina'', justifica.
De acordo com o Arai, em 2002, o índice de perda de água em Londrina era de 45%. A meta para os próximos cinco anos, aponta ele, é reduzir as perdas para 27% a 29%.


