Perda da TVR comprova autofagia da guerra fiscal, diz secretário
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segunda-feira, 11 de outubro de 1999
Por Sérgio Bueno 
Porto Alegre, 11 (AE) - O secretário de Desenvolvimento do Rio Grande do Sul, José Luiz Vianna Moraes, disse hoje que a desistência da Sports Cars Brasil (SCB) de instalar uma montadora no estado para a fabricação de carros da fábrica inglesa TVR, comprova que a "guerra fiscal é um processo insustentável", no qual "todos perdem".
De acordo com ele, o governo gaúcho manteve todos os benefícios fiscais prometidos em 1998 pela administração anterior, que poderiam cobrir até 100% do investimento de US$ 22 milhões estimado pela fabricante inglesa de carros esportivos.
Moraes explicou que, pele acordo firmado com o governo passado no âmbito do programa de incentivos Fundopem, a SCB poderia reter até 75% do ICMS por um prazo de oito anos, desde que o valor não ultrapassasse 9% do faturamento mensal. O pagamento ao estado seria feito também em oito anos, depois de cinco de carência, com juros anuais de 6% mais correção de 90% do IGPM.
Em troca, a empresa iria gerar 80 empregos diretos. Os trabalhadores iriam montar os automóveis de luxo totalmente com peças importadas, "portanto com baixo reflexo na cadeia produtiva", comentou o secretário. Segundo ele, se a produção ultrapassasse 2 mil unidades anuais, a SCB se comprometia a empregar 500 pessoas. "Na Inglaterra a produção é de 1,5 mil carros por ano", comparou.
Conforme Moraes, numa reunião na sexta-feira passada o presidente da empresa, Creighton Brown, já havia dado sinais de que o projeto seria transferido do Rio Grande do Sul. Ele disse que a "única pista" deixada pelo empresário era de que a região escolhida ofereceu prazos maiores para os benefícios. Um dos estados é a Bahia.
Ao lado dos incentivos fiscais, a SCB queria que o governo gaúcho construísse uma pista de testes de 2 mil metros no município de Farroupilha. A questão estava sendo solucionada junto a um grupo de empresários locais interessados em construir um pequeno autódromo na cidade, que poderia ser utilizado durante a semana pela montadora.
De acordo com o secretário gaúcho, a empresa se instalaria em um prédio alugado da indústria de calçados Grendene, que nos últimos anos transferiu praticamente toda a sua área de produção para o Ceará, também atraída por incentivos fiscais concedidos naquele estado. "Ali, durante um governo (passado) que a praticava, a guerra fiscal já havia retirado 10 mil empregos do Rio Grande do Sul", comentou.


