QUESTÃO DE INTELIGÊNCIA

O encontro entre os dois foi discreto. O presidente Lula escolheu pessoalmente o novo chefe da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), que será sabatinado pelo Senado e logo assumirá o cargo. Que é isso? Quem é ele?

A Abin é o órgão do Governo Federal encarregado de coletar as informações em todas as áreas, analisá-las e repassá-las para o chefe de Estado, seja ele quem for, para orientá-lo em decisões, ratificações ou mudanças de rumo. É um serviço camuflado e, como se esforçou para convencer de sua utilidade o general Alberto Cardoso, chefe do Gabinete Institucional (ex-Casa Militar) do governo FHC, possui uma estrutura democrática para servir à Nação. Entre outros lugares, o general disse isso na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

O problema é que a sombra do falecido SNI, o Serviço Nacional de Informações, engenharia do general Golbery (''eu criei um monstro''), ainda se estende como um manto de desconfiança. Entretanto, governo algum, seja de que estilo for, não vive sem informações - para prevenir, providenciar, corrigir, contra-atacar. Empregue-se aqui a palavra ''inteligência'' num sentido técnico-profissional, o que nada tem a ver com bisbilhotices na vida alheia. Araponga é uma coisa, agente de informações outra. É o caso, por exemplo, das ações policiais bem planejadas. O serviço de inteligência é imprescindível porque as grandes operações não são como arremesso de tarrafa ao mar. Essa história de ''caiu na rede é peixe'' não funciona no combate ao crime organizado, ainda para exemplificar. É preciso saber onde, quando e contra quem vai se agir. O contrário disso é improvisação e amadorismo. Por isso, colocar a Abin num contexto de Estado de Direito é importante. Restrições, só mesmo por parte de quem não for do ramo.

O futuro chefe da Abin é o delegado de polícia paulista Mauro Marcelo Lima e Silva. Destacou-se por fazer investigações sobre crimes eletrônicos. Conheço o delegado há vários anos, acompanhei várias de suas investigações e encontrei-o nos Estados Unidos, quando ele fazia um curso na Academia do FBI, a polícia federal norte-americana, em Quântico, na Virgínia. Foi ele quem me chamou a atenção para os cursos de alto nível em torno da prova bem produzida, imprescindível numa investigação científica, sempre respeitando os direitos constitucionais do cidadão.

A rigor, precisamos estar mais bem informados sobre o que anda acontecendo em nosso País, minado pelo crime nas mais variadas formas. Dias atrás, o ex-secretário Nacional de Segurança Pública, José Vicente da Silva Filho (coronel reformado da PM de São Paulo), disse que ''o sistema único de segurança pública é apenas um apelo de campanha que nada significa e como tal não está implantado em lugar nenhum, apesar de documentos assinados''. É deplorável essa enganação. Falta informação. Falta responsabilidade.

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