O Dia D

Não vamos falar sobre o desembarque das tropas aliadas na Normandia, mas na saída de tropas federais dos quartéis do Rio de Janeiro para enfrentar, com força terrestre Exército, constitucional instituição permanente o poder avassalador, arrogante e desafiador - do tráfico de drogas, que se ramifica para o terror urbano, afrontando o Estado. Amanhã é o Dia D: serão acertados, no Rio, todos os detalhes para que comece a ofensiva de reação, que deve durar pelo menos até dezembro, quando a Polícia Militar terá um Batalhão de Ocupação Permanente. É a sétima vez que o Exército sai às ruas, no Rio, de 1994 para cá.

A necessidade embute várias realidades e serve de lição para outros Estados. Observe que este é um precedente, que pode dar margem a pedidos semelhantes, como admitiu, conversando comigo, o secretário da Segurança Pública do Paraná, Luiz Fernando Delazari que, aliás, sabe relacionar-se muito bem com o Exército. Foi o governo do Rio casal Garotinho que pediu essa ajuda, em forma de socorro. Quando Rosinha implorou por 4 mil homens das Forças Armadas, a solicitação embutia a confissão de uma situação fora de controle. ''Salvem-nos'' esta é, sem tirar nem acrescentar, a tradução do pedido.

Não se trata de intervenção federal, portanto, embora operações permanentes desse tipo exijam que a tropa federal tenha poder de polícia e se torne necessário, portanto, ter uma garantia legal para essas ações, que terão desdobramentos inevitáveis, principalmente nos casos de confrontos, prisões e investigações. De início, Rosinha pretendia que o comando de tudo ficasse com o marido Garotinho, titular da pasta da Segurança. Não pode: tudo ficará em mãos do Comando Militar do Leste, simplesmente porque ninguém das polícias estaduais pode comandar unidade alguma do Exército brasileiro.

A escalada dos morros considerados perigosos, e a definição de dez pontos considerados prioritários inicialmente, vão se traduzir, na prática, pela condição de policiais, civis ou militares, poderem chegar até onde for considerado preciso, sem receio do poder bélico do tráfico capaz de montar, hoje, um shopping de armas com variedade impressionante. Ou seja: podem ir que o Exército garante, mobilizando sua tropa de infantaria paraquedista e deixando recrutas completamente fora das operações. Portanto, tudo com profissionais, o que é diferente de colocar na linha de frente a garotada fazendo serviço militar.

Nesta síntese do que está por vir e acontecer, a consideração final: o Rio chegou a este ponto por incompetência governamental, cegueira social, valorização das drogas e não da cidadania e tolerância com a brutalidade implacável e galopante. Para reverter o quadro sinistro, chama-se o Exército, apoiado por 62,3% dos cariocas, segundo pesquisa do Núcleo de Pesquisas da Escola Superior de Propaganda e Marketing. Tudo é uma lição. Aprendamos.

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