PERCIVAL DE SOUZA
SEGURANÇA DO PARANÁ
Conheci pessoalmente, em São Paulo, o mais jovem de todos os secretários da Segurança brasileiros Luiz Fernando Delazari, 32 anos, promotor de carreira com a responsabilidade de transformar a polícia paranaense numa nova Fênix. Conversamos bastante. Quero repartir com o leitor a impressão que tive do secretário, que quis me conhecer por causa da coluna que escrevo nesta Folha e em livros.
Delazari quer acertar. Pegou uma massa falida, expressão suave diante das adjetivações do governador Roberto Requião, e começou a reunir-se com gente das polícias, sempre aos sábados, para uma radiografia intestinal que exige providências em forma de biópsia e extirpações institucionais para evitar metástases ainda piores.
Impressionante, isto. Porque tinha e tem gente na Polícia desta terra que perdeu a noção e o senso de qualquer limite. Aderiu explicitamente ao crime, nos mais variados formatos, e sempre contou com aquilo que uma comissão independente para investigar o acidente com um ônibus espacial da Nasa detectou para implodir bandas podres: excesso de autoproteção. No caso, mais do que espírito de corpo, mas apatia e até medo daqueles que se tornam mais perigosos do que os outros porque andam armados com uma identificação funcional que os mostra não como gente que passou para o lado de lá, mas agentes da lei. Nem híbridos são. Na verdade, definiram-se por opção consciente e a máquina policial não passa, para eles, de uma poderosa gazua. Daí a mexida na máquina, dando chance para quem nunca teve, estimulando os que querem trabalhar para a sociedade, investindo na auto-estima e no reconhecimento. O preço do noviciado é muito alto, exige dedicação total, pedidos de paciência para a esposa que raramente vê o marido e outras coisas que somente quem tem um abacaxi desse tipo para descascar sabe como são.
Delazari está usando a experiência do Ministério Público (insuficiente por si só) para investir sobre ladrões de veículos, traficantes, exploradores de jogos e outros inimigos da sociedade. O secretário tem informações insofismáveis e arrepiantes sobre gângsteres, que conversam entre si como se agir como bandido fosse ''trabalhar'', inclusive com direito a pedir folga para o chefe da quadrilha. É a cara-de-pau absoluta, o deboche, a afronta, a impunidade.
Preservando o que ouvi confidencialmente, ressalto: está sendo preciso fazer uma faxina na máquina e a troca de peças vitais deverá contribuir para que, de início, o crime seja enfrentado por quem deva ser exatamente a antítese dele, e não a conivência e a mistura. Nunca foi bom que água e azeite se misturassem. Em resumo: Delazari sabe quais são seus limites, quer ouvir, aprender, acertar no que faz e reverter um quadro de insegurança com dedicação e empenho. A estratégia é boa: bons policiais ao lado, maus bem longe. A fórmula, em tese, é boa. Agora, é dar tempo ao tempo para esperar os resultados, com um banho inicial de dignidade e ética. A sociedade, que paga a conta, merece.





