Percival de Souza
DO BRASIL
Dizem que se é foto é fato. O Censo 2000 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrou o Brasil por inteiro. Sobre ele, vimos algumas manifestações sobre coisas boas, coisas ruins, nem todas de acordo com aquilo que preconizava Marco Túlio Cícero, o tribuno romano, para quem instruir é
uma obrigação, deleitar um brinde e comover uma necessidade.
O leitor tomou conhecimento. Saúde melhor, desemprego em alta, fé em declínio e outros múltiplos aspectos que revelaram a face atualizada de nosso País. Segundo Rubem Alves, professor emérito da Universidade de Campinas, quem pensa em minutos não tem paciência para plantar árvores. Uma árvore leva muitos anos para crescer. É mais lucrativo cortá-las. Se dermos razão a ele, poderemos olhar todos esses números do censo e trabalhar como filosoficamente está se propondo.
Hoje, Dia das Mães, pode ser um bom dia para a gente pensar fora dos clichês. Há algum tempo, em São Paulo, o caso incrível de um caminhão que veio desgovernado para cima de uma mulher e seus dois filhos. Ela não hesitou: apanhou as crianças, jogou-as para cima de um muro e morreu esmagada, ali mesmo, em holocausto. A concepção sobre os valores da vida que essa mulher possuía, selada com o próprio sangue, só se revela nas grandes personalidades criadoras, onde a audácia vence o mundo, os hábitos da rotina e da indiferença. Só os grandes indivíduos é que sacrificam a vida para salvarem outras vidas. Esses valores, a vida de duas crianças, seus filhos, que foram consagrados pela perda de sua vida, serão manancial de energias na vida de todos nós - enquanto os sinos tocarem por todos. Será isso o que queria dizer Jesus: aquele que perder sua vida, irá ganhá-la?
Essa mãe, como todas empunhando o escudo da maternidade, pelos filhos capazes de enfrentar todos os desafios e sacrifícios, como a mulher que a gente tantas vezes vê nas ruas, carregando o filho em busca de atendimento médico. O cronista Lourenço Diaféria escreveu que, nesse momento, se a lança da pior maldade pudesse zunir e atravessar-lhe a carne, o sangue coagularia de coragem e ela esperaria para morrer somente depois que seu filho, embrulhado no cobertor, fosse atendido pelo médico. Não existe estatística de mãe. Mas receitas, sim.
Todo esse amor e destemor, frutos da graça divina, ajudam-nos a entender o Brasil traduzido em números. O censo traz informações e indicadores, constatações e denúncia, pessimismo, otimismo e esperança. No Rio de Janeiro existe uma ONG, organização não-governamental, que tem como motivação o ceticismo ateu. A consultora do IBGE Clara Mafra explica o por que dessa posição: Há um processo mais global de opção religiosa e de descrédito em relação ao modo como as instituições religiosas têm se estabelecido na cena pública. Sobre tudo isso temos que pensar e repensar, abrir caminhos, refazer e construir. É só olhar o retrato do Brasil. Com a receita do amor de mãe.





