Em vez de berço com brinquedos de pelúcia e o aconchego do colo da mãe, os primeiros dias da vida de Alisson Fernando foram em uma incubadora na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Infantil, com sonda no nariz, tubo na boca e agulhas pelo corpo. O bebê clarinho, de olhos grandes e observadores, completa três meses hoje. Neste curto tempo de vida, ele passou por uma cirurgia cardíaca importante. Foram oito horas na mesa de operações e sessenta dias no hospital. Um começo difícil para quem pesava menos de 4 quilos e acabara de chegar ao mundo.
A história de Alisson não chega a ser rara. De acordo com especialistas, bebês com diagnóstico de problemas cardíacos são mais comuns do que se imagina. Só em Londrina são feitas, em média, três cirurgias por semana. As chances de recuperação são cada vez maiores: ''Apesar de pequenos, os bebês lutam muito pela vida e são mais fortes do que aparentam. Muitos se recuperam rapidamente'', conta o cardiologista Gualter Pereira Junior, um dos responsáveis pela cirurgia de Alisson.
Nenhuma estatística otimista conseguiu diminuir o susto do pais do bebê, o comerciante Claudinir Simioni e a dona de casa Silvana Camacho. Eles souberam da doença do filho assim que ele nasceu. ''A enfermeira notou que o neném não estava bem e encaminhou imediatamente para exame; foi salvo por um triz'', lembra Claudenir. Com a confirmação do diagnóstico, veio o choque: ''Não tem coisa pior no mundo, você sai fora de si e só cai na real depois de alguns dias'', relembra. Alisson tinha as veias aorta e pulmonar invertidas, um problema congênito grave que precisa de correção imediata. Por causa disso, o bebê foi direto para o Hospital Infantil, onde foi operado poucas horas depois de nascer.
Silvana nem pôde ver o filho direito. ''Eu só vi meu bebê de longe. Não pude segurá-lo. Fui conhecer o Alisson uma semana e meia depois, na UTI. Pegar no colo, só mais de um mês depois. Para amamentar meu filho eu esperei 54 dias'', conta. Pais e filho superaram tudo. O leite de Silvana não secou e ela também manteve o otimismo: ''Se ele ficou 9 meses dentro de mim, Deus não ia me tirar o Alisson depois''. Exatamente dois meses depois de nascer Alisson veio para casa. O enorme corte no peito já cicatrizou e o bebê cresce e ganha peso normalmente. Agora, a família se prepara para comemorar o Natal. O presente que eles mais queriam já veio.(P.F.)

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