Pequim, 23 (AE-AP) - A China lançou um ataque de propaganda contra a seita proscrita Falun Gong, e pequenos grupos de seguidores reuniram-se hoje perto do local principal do governo em Pequim.
A seita, que conta com cerca de 70 milhões de adeptos, foi posta na ilegalidade ontem (22), pondo em evidência os temores oficiais de que poderia ameaçar o poder comunista tornando-se um ponto de agrupamento para a raiva contra o desemprego e a corrupção.
A polícia deteve hoje cerca de 15 pessoas que faziam um protesto silencioso perto do local onde o presidente Jiang Zemin e outros líderes vivem e trabalham. A rua diante do complexo foi palco de 3 dias de protestos de centenas de seguidores da Falun Gong, depois da prisão de líderes da seita.
Cerca de 100 pessoas foram detidas no parque de Beihai, onde sentavam-se em silêncio no chão, cercadas pela polícia. Centenas de policiais da tropa de choque foram espalhados pela cidade para impedir outros protestos.
Toda a imprensa oficial da China atacou a seita. A televisão mostrou repetidamente um documentário atacando a Falun Gong. Jornais estavam cheios de artigos acusando a seita de abusar e enganar milhões de adeptos.
A Falun Gong foi fundada em 1992 por Li Hongzhi, um ex-funcionário do governo que vive agora em Nova York. Os ensinamentos misturam artes marciais, budismo e taoísmo. Estima-se que o grupo tenha cerca de 70 milhões de membros, 9 a mais do que o partido governista da China, o Partido Comunista.
O governo parece ter se decidido a proscrever a Falun Gong depois de um protesto silencioso de um dia, em 25 de abril, no qual 10.000 membros cercaram o edifício principal do governo em Pequim. O protesto parece ter pego os líderes chineses de surpresa.
A televisão estatal considerou o protesto de abril como o mais sério desde os episódios sangrentos de Tiananmen Aquare, em 1989.

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