Pequenos agricultores terão R$ 5,4 bilhões
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terça-feira, 24 de junho de 2003
Agência Estado 
Brasília - Ao divulgar ontem o Plano de Safra para 2003/04, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou também a liberação de R$ 5,4 bilhões para pequenos agricultores recursos que deverão começar a ser distribuídos no dia 15 de julho. Segundo o ministro Miguel Rossetto, que estava presente na cerimônia, trata-se de um valor recorde, que permitirá ampliar o atual número de contratos do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) de 970 mil para 1,4 milhão de famílias.
Lula afirmou, na ocasião, que seu governo não quer ver sobrar nenhum real do total anunciado ontem para a agricultura familiar. ''Por favor, não se façam de rogados. Briguem, reclamem'', pediu ele. O presidente divulgou também o número de telefone para o qual os pequenos produtores poderão ligar caso os recursos no total de R$ 5,4 bilhões não cheguem aos bancos. O número é 0800-787000.
O presidente do Banco do Brasil, Cassio Casseb, adiantou que 60% dos R$ 5,4 bilhões serão operacionalizados pela instituição. ''O montante deste ano supera em R$ 1 bilhão o volume da safra 2002/03'', disse Casseb.
O governo Lula e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra deixaram claro ontem, no Palácio do Planalto, que já não falam a mesma língua. Preocupado com as invasões de terras por todo o País, o presidente reafirmou seu compromisso com a reforma agrária, mas pediu paciência.
Presente à solenidade, o coordenador nacional do MST João Paulo Rodrigues afirmou, porém, que o movimento não pretende reduzir o ritmo das ocupações. Ao discursar, Lula deu seu recado: ''As coisas não acontecem no tempo em que a gente quer, mas quando a gente prepara para que aconteçam. E estamos preparando. Tem gente mais afobada, gente mais apressada, tem gente que gostaria que as coisas acontecessem fora de hora. Não acontecem.''
Logo após a cerimônia, João Paulo Rodrigues avisou, em entrevista no Salão Nobre do Palácio do Planalto, que as invasões de terra vão continuar: ''A nossa luta é contra o latifúndio, não é contra o governo Lula. Não tem porque parar as ocupações de terra.''
Alarmado com a onda de invasões em seus primeiros meses de governo, Lula vai reunir-se em julho com dirigentes dos sem-terra. E já escalou os ministros José Dirceu (Casa Civil) e Luiz Dulci (Secretaria-Geral da Presidência) para negociar com os movimentos rurais, dividindo responsabilidades com o ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto.
Com Dirceu e Dulci à frente do diálogo com os sem-terra, o Palácio do Planalto espera conter as invasões. Eles têm por missão dizer que o governo quer pretende sim fazer a reforma agrária, mas de forma ordenada, sem ilegalidades, sem invasão de terras produtivas. Na visão do Planalto, no momento em que todos forem convencidos de que a reforma agrária realmente sairá, não será mais necessário usar a invasão de terra como instrumento de pressão.


