Recife, 28 (AE) - Cerca de 200 trabalhadores rurais ligados à Federação dos Trabalhadores na Agricultura de Pernambuco (Fetape) ocuparam hoje à tarde a sede da Secretaria de Produção Rural e Reforma Agrária, no Recife. A mobilização faz parte das manifestações do Grito da Terra 99, que a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) promovem em várias capitais brasileiras.
O secretário estadual de Planejamento e Desenvolvimento Social, José Arlindo Soares, que recebeu uma comissão dos manifestantes como representante do Governo do Estado, disse que só negociaria a pauta de reivindicações se eles desocupassem a secretaria. Como os trabalhadores não aceitaram a proposta, ele avisou que iria entrar na Justiça com um pedido de reintegração de posse do prédio.
Os manifestantes pretendem ficar acampados no local até sexta-feira, quando deverão sair para engrossar uma passeata organizada pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), em comemoração ao 1º de maio, nas ruas centrais da cidade. Eles querem a retomada de vistorias de terras improdutivas pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e a manutenção e ampliação do número de alistados nas frentes produtivas de trabalho no semi-árido. Atualmente Pernambuco tem 211 mil alistados nas frentes. Eles cobram dos governos federal e estadual o atraso de R$ 28 milhões relativos ao pagamento das frentes (R$ 133,00 por alistado).
Segundo o secretário de Política Fundiária da Fetape, João Santos, há quase oito meses o Incra não faz uma vistoria de terra no Estado. Somente trabalhadores vinculados à Fetape ocupam 44 áreas, algumas delas há dois anos, sem que se inicie o processo de desapropriação. A Fetape também reivindica proteção para 450 famílias que ocupam cinco engenhos pertencentes à Usina Santo André, no município de Tamandaré, na zona da mata Sul. Eles denunciam o clima de tensão, ameaça e violência vivido pelos trabalhadores. Dois deles já foram mortos na área.

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