Porto Alegre, 19 (AE) -O Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) anunciou hoje que está "apreensivo" com a posse do novo ministro da Agricultura, Marcus Vinicius Pratini de Moraes. "Nosso receio é que a indicação representará um retrocesso para a agricultura e especialmente para os pequenos produtores", disse Gilberto Tuhtenhagem, da coordenação nacional do MPA. O temor deve-se, segundo o dirigente, à falta de vinculação de Pratini de Moraes com o setor primário.
"Ele é ligado ao setor exportador e não ao agricultor familiar que produz para o consumo interno e com isso aumenta a oferta de alimentos na cidade e de trabalho no campo", comentou. O movimento também está preocupado com o passado político do novo ministro, que ocupou o primeiro escalão no governo militar de Emílio Garrastazu Médici e depois na gestão de Fernando Collor de Mello. Mesmo ressalvando que o governo federal não tem uma política consistente para os pequenos agricultores, Tuhtenhagem elogiou a abertura do ex-ministro Francisco Turra para o diálogo. "Turra é de uma região de pequenos produtores (Marau, no norte do Rio Grande do Sul) e conhece os problemas do setor", disse.
Pronaf - O coordenador do MPA teme que a entrada de Pratini de Moraes prejudique algumas negociações que vinham sendo mantidas com o Ministério. As mais importantes, explicou, são a respeito do seguro agrícola nacional, da liberação de créditos para construção de moradias aos pequenos agricultores e de melhorias no Pronafinho.
De acordo com Tuhtenhagem, na gestão de Turra foi implementado o Pronafinho Investimento, que concede créditos de R$ 1,5 mil a R$ 3 mil por produtor, com rebate (desconto) de R$ 700. Este ano o programa concedeu empréstimos de R$ 21 milhões aos grupos de produtores ligados ao MPA, lembrou o coordenador. Com 20 mil famílias organizadas no Rio Grande do Sul e outras 30 mil no Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul e Rondônia, o MPA pretende manter aberto o diálogo com o Ministério da Agricultura.
Se isso não for mais possível, voltará a promover manifestações de rua como ocorreu nos últimos anos, garantiu Tuhtenhagem. Entre setembro e outubro de 1997 sete agricultores ligados ao movimento fizeram 17 dias de greve de fome em frente à Delegacia do Ministério em Porto Alegre e conseguiram abrir as negociações para a implementação do Pronafinho Investimento.

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