São Paulo, 19 (AE) - Está causando surpresa a pesquisa feita pela Associação Brasileira da Indústria Eletroeletrônica (Abinee) entre empresas de pequeno porte, de até 100 empregados. A surpresa é da própria Abinee, diante dos resultados: 100% das empresas estão fazendo investimentos. Ou em tecnologia ou em equipamentos ou em pesquisa e desenvolvimento. Ainda inédita, a pesquisa foi feita pelo Departamento de Tecnologia de Pequenas e Médias Empresas da entidade, com 20% das pequenas empresas associadas, um total de cerca de 500. As pequenas faturam perto de 30% do total do setor, ou em torno de US$ 9 bilhões em 1998, já que o ramo eletroeletrônico faturou aproximadamente US$ 32 bilhões no ano passado.
Depois de um primeiro trimestre muito fraco, com queda de 16% no faturamento, a expectativa para o segundo semestre é otimista: "As coisas estão melhorando", diz um executivo do setor. A abertura da economia provocou esse surto de desenvolvimento nas pequenas empresas do setor. Em 1996, elas investiram em média 7% do seu faturamento em tecnologia. Em 1997
foram 6% e em 1998, outros 7%. O setor como um todo aplica cerca de 4%, em média, do seu faturamento em aperfeiçoamento tecnológico.
Do total investido, 92% das empresas indicaram que fizeram inversões com recursos próprios. A avaliação das próprias empresas é de que elas se consideram competitivas e têm produtos com tecnologia suficiente para brigar no mercado. Suas principais dificuldades ainda estão nas áreas de design e no que sobrou de deficiência no processo de produção durante a evolução ocorrida nos últimos anos. Ainda assim, 47% dessas empresas, segundo a pesquisa, exportaram em 1998 e 69% delas pretendem exportar em 1999.
Do ponto de vista de gestão, as empresas consideram que têm um adequado sistema de controle de custos e de formação de preços. Delas, 66% completaram programas de melhoria interna, com sistemas de qualidade total e de reengenharia de recursos humanos. Outro fator entusiasmante e surpreendente é que 28% das pequenas e médias empresas do setor eletroeletrônico já têm a norma ISO 9000 implantada e outros 40% estão em fase de implantação. "Todas estão num processo de modernização muito forte, impelidos pela abertura imposta pela globalização", comenta um executivo do setor. Concorrência - A avaliação da Abinee é que as pequenas e médias empresas têm duas grandes queixas. Uma, a de que há uma concorrência desleal com produtos importados, com os quais reivindicam isonomia de tratamento, condições iguais para disputar o mercado. É antigo o pleito do setor para que se cuide de questões como o contrabando, o "importabando", e as práticas de subfaturamento nas importações. Outra queixa é recorrente: contra o chamado custo Brasil, fator de desequilíbrio na disputa de mercado. Prontas para crescer - No primeiro trimestre, as pequenas e médias empresas sofreram uma queda no faturamento de 16% em comparação a igual período do ano anterior. Os negócios ficaram bem abaixo das estimativas projetadas. A ocupação da capacidade produtiva chegou a 61%, mas entrou em junho com a certeza de que fecha o mês com 69% da capacidade ocupada. E em rota de crescimento.

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