Pequena comunidade judaica vive na República Dominicana
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quinta-feira, 09 de dezembro de 1999
Por Dan Perry 
Sosua, República Dominicana, (AE-AP) - Depois de meio século na República Domicana, Hermann Strauss, nascido em Viena, está satisfeito, próspero e profundamente grato à nação que ofereceu aos judeus um inesperado abrigo das atrocidades cometidas por Hitler.
Há ambiguidades morais nesta história. A mão estendida pelo ditador Rafael Trujillo pingava sangue de 20 mil haitianos, mas para Strauss isso não é importante.
"Trujillo foi um ditador e teve problemas com o assassinato dos haitianos", disse ele, referindo-se ao ostracismo enfrentado por Trujillo depois do massacre de 1937.
Um ano depois, Trujillo ofereceu abrigo a 100 mil judeus, o que para muitos foi uma tentativa de desviar a atenção do massacre e ao mesmo tempo trazer europeus para o país, um objetivo compartilhado por muitos membros da elite de pele clara num local onde a maioria é mulata.
"Independentemente do que se possa dizer sobre os motivos que o levaram a nos dar abrigo, o projeto salvou vidas e na República Dominicana nós nunca fomos perseguidos", disse Strauss, 61 anos, em inglês perfeito, porém ainda com sotaque alemão.
Para atrair os judeus, Trujillo doou terra para um assentamento agrícola.
"Inacreditavelmente, menos de mil aceitaram sua oferta", escreve Harry Ezratty em seu livro "500 anos no Caribe Judaico". "Os refugiados que chegaram eram profissionais, funcionários públicos e homens de negócios, não agricultores. Para eles, Sosua significava atraso".
A família de Strauss sobreviveu à da guerra em Xangai. Em 1947, com a aproximação dos comunistas, eles responderam a uma oferta da comunidade e receberam 13 cabeças de gado, um pedaço de terra e alguma paz e sossego. O projeto agrícola logo foi abandonado, mas a comunidade formou uma bem sucedida indústria pecuária e de derivados de leite que agora é administrada pelos Strauss.
Sua filha Ivonne Milz e sua família vivem aqui também, assim como cerca de 100 judeus ou meio judeus cuja pele branca fazem com que se sobressaiam no que é atualmente uma agitada cidade de alguns milhares de pessoas. O restante foi para a capital, Santo Domingo, onde há algumas centenas de judeus, ou para os EUA ou para qualquer outro lugar.
Milz é quem toma conta da sinagoga, uma bonita e bem administrada estrutura de madeira, e está ajudando a montar um museu com o registro da história da comunidade judaica. "Para mim é importante porque a história da cidade está ligada a da comunidade judaica e fico muito triste em ver isso desaparecer"
disse ela. "Eu me sinto dominicana, mas sei que nós somos diferentes".


