Pepebistas pressionam candidatura Maluf à sucessão de Pitta
Pepebistas pressionam candidatura Maluf à sucessão de Pitta14/Mar, 18:48 Por Flávio Mello São Paulo, 14 (AE) - A crise política provocada pelas denúncias da primeira-dama Nicéa Pitta aumentaram as pressões para que o presidente nacional do PPB e ex-prefeito de São Paulo Paulo Maluf, seja candidato à sucessão do prefeito Celso Pitta (PTN). Para os principais integrantes da cúpula malufista, o líder do PPB não tem outra alternativa a não ser disputar as eleição deste ano para preservar o seu espaço e a sobrevivência de seu grupo político. "O Paulo continua não dizendo nem sim nem não, mas dentro do nosso partido ele é o único que tem alguma chance e, se não sair, ficará difícil manter a unidade da legenda", admitiu o ex-secretário municipal de Vias Públicas Reynaldo de Barros. Um dos principais articuladores políticos de Maluf, que controlou parte da campanha de Pitta em 1996 e afastou-se do cenário político depois da posse, acredita que, se uma das intenções com as denúncias contra o prefeito era tirar o presidente de uma disputa eleitoral, o tiro saiu pela culatra e acabará empurrando-o para a eleição. De acordo com esse articulador malufista, que pediu para não ter o seu nome revelado, nesse momento não há outra opção para Maluf a não ser disputar a eleição. A avaliação é a seguinte: ou o ex-prefeito de São Paulo disputa a eleição ou perde a maior parte de seu espaço político e tenta sobreviver com um partido ainda mais fragilizado. "Particularmente, eu torço para que o Paulo seja candidato nesta eleição", admitiu o líder do governo na Câmara Municipal, vereador Brasil Vita (PPB). Maluf continua dizendo que quer ser candidato ao governo do Estado em 2002, mas desde setembro do ano passado percorre pessoalmente os quatro cantos da cidade visitando as suas bases eleitorais na cidade de São Paulo. Ao mesmo tempo, utiliza as propagandas partidárias para mostrar que, durante a sua administração, a cidade estava mais organizada e o serviços públicos funcionavam. Também não poupa críticas à segurança pública, num recado direto ao governador Mário Covas (PSDB). No início da semana, um vereador do PMDB, que pediu para não ter o seu nome revelado, afirmou que Maluf estaria atuando nos bastidores para tentar evitar um eventual afastamento de Pitta. A estratégia seria manter o prefeito no cargo, para não tornar-se o alvo direto dos ataques diretos dos tucanos e dos petistas. A Assessoria de Imprensa de Maluf negou qualquer movimentação em favor de Pitta. O Diretório Estadual do PPB em São Paulo apressou-se, a pedido de Maluf, em divulgar uma nota oficial desmentindo a afirmação de Nicéa sobre um eventual acordo entre o presidente nacional do partido e o seu ex-marido. "O Maluf ficou irritadíssimo com essa afirmação da dona Nicéa e discutimos apenas essa questão", garantiu o presidente estadual do PPB, Adhemar de Barros Filhos. Apesar de Barros Filho ter assegurado que na reunião, no escritório político de Maluf, a situação municipal não ter sido analisada, o presidente nacional do partido está acompanhado a situação. Dois vereadores do PPB, que estiveram com Maluf recentemente disseram que ele não emitiu nenhuma opinião sobre o episódio na Câmara Municipal. Um especilista em comunicação do PPB acredita que a permanência ou o afastamento de Pitta da Prefeitura de São Paulo não preocupa Maluf. Esse especialista em comunicação, que também pediu para não ter o seu nome revelado, acredita que a crise político-administrativa do governo Celso Pitta tornou-se um dos principais temas da campanha eleitoral deste ano. E Maluf, mesmo com a briga com o seu ex-afilhado político, será criticado e cobrado por isso. O distanciamento entre Maluf e Pitta foi planejado pelos publicitários Duda Mendonça e Nélson Biondi, responsáveis pela vitória do PPB em São Paulo, em 1996. Como a gestão Pitta estava em crise na campanha para o governo estadual em 1998, decidiram tentar desvincular Maluf do então seu afilhado político. Um dos argumentos possíveis, caso Maluf realmente seja candidato neste ano, é forçar a comparação entre a sua administração e de seu sucessor. Para que essa estratégia dê certo, é fundamental que não paire dúvida sobre o seu rompimento político com Pitta.





