Brasília, 26 (AE) - Depois de mais de 15 horas de viagem, a pensionista Maria Aparecida Carvalho de Lima, de 58 anos, dizia-se "animada" com a proximidade de integrar a Marcha dos 100 Mil, na Esplanada dos Ministérios. "Estou muito animada, principalmente porque estou com os jovens", disse na última parada antes de chegar à capital.
Na bagagem, Maria Aparecida trazia frango assado, arroz e farofa. Experiente, não quis correr o risco de sentir fome como em protestos do passado. Maria Aparecida, uma das 4,6 mil manifestantes fluminenses que deixaram o Rio de Janeiro quarta-feira rumo a Brasília, decidiu participar do protesto organizado pelos cinco partidos de oposição ao governo federal - PT, PDT, PC do B, PCB e PSB - para tentar um futuro melhor para os seus cinco filhos e seto netos.
Ela afirmou, antes do início do embarque, "ir numa atitude de desespero", acreditando estar fazendo "alguma coisa para diminuir a forme, a miséria". Maria Aparecida sempre militou em favor de causas populares e sociais.
No fim dos anos 70, vendeu bônus em portas de igrejas para arrecadar fundos para as greves do ABC paulista. Atuou também em associação de moradores, integrou o movimento pela restituição das eleições diretas e sofreu com as derrotas políticas do atual presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva.

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