Penitenciários aguardam solução para greve
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domingo, 17 de outubro de 2004
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Os agentes penitenciários do quadro de servidores do governo do Estado entram hoje no quarto dia de greve apostando em reuniões para o fim do impasse com a direção do Departamento Penitenciário (Depen) do Paraná. Os agentes, que resolveram entrar em greve nas seis unidades penais de Curitiba e Região Metropolitana, pedem a saída do diretor Justino Sampaio Filho e a suspensão definitiva da nova escala de trabalho que irá reduzir os salários dos servidores em cerca de R$ 400 por mês.
A nova escala já está pronta, mas ainda não está vigorando nas unidades penitenciárias. Ela segue o modelo implantado no Educandário São Francisco, em Piraquara, onde os educadores sociais tiveram a escala reduzida de 24 horas de trabalho por 48 horas de descanso, para 12 horas de trabalho por 36 horas de descanso. A idéia é diminuir o estresse dos trabalhadores. Mas segundo o vice-presidente do Sindicato dos Servidores Penitenciários do Paraná, Valério Staback, o estresse aumenta ainda mais na medida em que os agentes penitenciários não terão recursos para sustentar as famílias que já estavam garantidas por horas extras fixadas mensalmente.
''Essa decisão é absurda. Resolveram fazer o decreto, que ainda não foi implementado, na surdina, sorrateiramente. Isso será prejudicial a toda a categoria. Não queremos que isso seja implementado em todo o sistema penitenciário. Acho que essa segunda-feira será o 'dia D' para reverter essa situação'', alertou Staback.
Os primeiros reflexos da greve foram sentidos ontem, onde os presos não puderam receber mais do que uma visita. Sacolas foram proibidas. ''Não tivemos nenhuma reclamação. Ao contrário. Os visitantes também assinaram um abaixo-assinado pedindo a saída do coronel Justino Sampaio do Depen'', declarou ele. O abaixo-assinado deverá ser encaminhado ainda hoje para o secretário de Estado da Justiça e Cidadania, Aldo Parzianello.
Estão paradas em Curitiba e Piraquara as seguintes unidades: Penitenciária Central do Estado (PCE), Prisão Provisória de Curitiba (PPC), Colônia Penal Agrícola (CPA), Complexo Médico Penal (CPM), Penitenciária Feminina (PF) e o Centro de Operações e Triagens Criminológicas (COT). Se não houver negociação hoje, os penitenciários prometem levar a greve para unidades estatais de Londrina e Maringá. ''Se não houver negociação, a greve vai se avolumar. Não temos como voltar sem a saída do Justino. Agora estamos partindo para tudo ou nada'', ponderou o agente penitenciário.
A Folha não localizou ontem o coronel Justino Sampaio. O secretário Aldo Parzianello disse ontem que está estudando as reivindicações dos agentes penitenciários. Ele admitiu a possibilidade de afastar a atual direção do Depen. ''Pode ser que sim, pode ser que não. Estou estudando ainda'', afirmou Parzianello. Ele não confirmou se irá receber ainda hoje uma comissão de representantes da categoria. ''Vou recebê-los. Mas ainda não tem data marcada'', limitou-se a dizer.


