São Paulo, 10 (AE) - O analista da consultoria Austin Asis, Luís Miguel Santacreu, acredita ser factível o cronograma de privatização do Banespa, mas entende que as pendências adquiriram caráter de urgência. Segundo ele, a divulgação no Diário Oficial da União de hoje do edital de pré-qualificação de privatização do Banespa agitou o setor financeiro. Os bancos começam a avaliar se entrarão sozinhos no leilão ou se iniciarão "namoros" para a formação de consórcios.
Santacreu acredita que a pendência de mais fácil solução para a privatização do Banespa refere-se aos títulos da Prefeitura do Município de São Paulo. Segundo ele, acordo entre a prefeitura e o governo federal em 20 de agosto de 1999 previa a troca dos papéis municipais por federais. Segundo Santacreu, a PMSP tem títulos vencidos e não pagos para o Banespa da ordem de R$ 709 milhões e outros R$ 2,324 bilhões de posse do banco federalizado e ainda não-vencidos.
Santacreu observa que a expectativa do mercado é de que os títulos municipais sejam trocados por federais, limpando o balanço do Banespa. Segundo ele, há expectativa também que as ações da Cesp que estão na carteira do banco federalizado sejam vendidas no mercado ou sejam compradas pelo Tesouro Nacional e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social que trocariam os papéis por títulos federais.
Ele entende que os ajustes a serem realizados no Banespa farão com que a instituição registre prejuízo ou, de maneira otimista, fique com resultado no balanço anual (de 1999) "zerado". As provisões para a multa tributária e para ações trabalhistas devem eliminar o lucro líquido acumulado de R$ 1,1 bilhão registrado no balanço de novembro de 1999. Segundo ele, o balanço anual do Banespa deverá ser divulgado na primeira semana de fevereiro e será "muito importante" para as consultorias estimarem o preço mínimo do leilão.

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