Pelo menos 70 mortos em mais uma explosão em Moscou
Moscou, 13 (AE-AP) - Pelo menos 70 pessoas, incluindo sete crianças, morreram e dezenas estão desaparecidas e presumivelmente enterradas sob toneladas de escombros depois que uma suposta bomba pulverizou na madrugada desta segunda-feira (13) um prédio de oito andares de Moscou.
Autoridades culparam terroristas pela explosão, e pediram à população para ajudar a encontrar um homem que teria alugado um espaço nesse prédio e em um outro que foi explodido quatro dias atrás. Mais de 200 pessoas já morreram numa série de atentados a bomba na Rússia nas últimas duas semanas.
O governo ordenou uma grande operação de segurança em Moscou e em outras cidades. A polícia está checando estações de metrô e outras áreas movimentadas, pedindo identidade e vasculhando prédios em toda Moscou em busca de explosivos armazenados.
Líderes russos prometeram agir com rigor contra quem seja o responsável pelas explosões, apesar de ninguém ter de imediato assumido responsabilidade. O presidente Boris Yeltsin afirmou que terroristas declararam guerra à Rússia.
"Terroristas estão tentando amedrontar o povo russo. Eles estão tentando desmoralizar o Estado", declarou Yeltsin num pronunciamento televisionado à nação.
Yeltsin ordenou estritas medidas de segurança em aeroportos, usinas nucleares, oleodutos e outros possíveis alvos em todo o país. Ele deu 24 horas ao prefeito de Moscou, Yuri Luzhkov, para vasculhar todos os 30.000 prédios residenciais da cidade.
Luzhkov disse que áreas movimentadas como mercados e transportes públicos terão reforços de segurança, e sugeriu que "convidados" ou visitantes da capital - especialmente aqueles não registrados na polícia - poderiam ser afastados.
Luzhkov vinculou as duas explosões à luta na região sulista russa de Daguestão, onde tropas governamentais combatem rebeldes islâmicos que ocuparam várias vilas.
O ministro do Interior Vladimir Rushailo disse numa entrevista à televisão na noite de hoje que as explosões são obra de dois senhores da guerra da Chechênia que lideram a ofensiva no Daguestão: Shamil Basayev e Khattab, um jordaniano conhecido apenas por um único nome.
"O que aconteceu em Moscou é obra dessas pessoas", afirmou ele na televisão NTV.
A última explosão fez aumentar temores de que o governo venha a usar os cruéis atentados para declarar um estado de emergência. Opositores de Yeltsin têm denunciado por meses que o presidente está procurando um motivo para assumir poderes emergenciais e assim suprimir seus adversários e fortalecer seus poderes.
Mas Yeltsin enfatizou hoje que o estado de emergência não é iminente, dizendo que as autoridades irão agir dentro da legalidade.
"Todas atividades no futuro próximo serão promovidas em estrito cumprimento da Constituição e legislação russas", declarou.
Sessenta e duas famílias, ou 150 pessoas, estavam registradas como vivendo no prédio que foi explodido pouco antes do amanhecer desta segunda-feira, mas não havia estimativa de quantas estavam efetivamente em casa no momento da explosão, disseram policiais.
Todo o prédio de oito andares virou uma montanha de tijolos e pó. Equipes de resgate retiraram apenas duas pessoas com vida dos escombros durante todo o dia. O edifício estava localizado numa tranquila área residencial, próximo a uma escola e duas creches, a apenas seis quilômetros do local da explosão de terça-feira.
Pelo menos 70 pessoas, incluindo sete crianças, foram mortas, informou o Ministério de Situações Emergenciais. Nove pessoas foram hospitalizadas, entre elas residentes de prédios vizinhos, e 14 outras foram tratadas de ferimentos leves, anunciou.
"A tremenda explosão me fez cair da cama e levantou uma grande nuvem de poeira. Percebi imediatamente que tratava-se de uma bomba. Sei que existiam muitos idosos e crianças morando no prédio", disse Vladimir Kanshin, um vizinho.
O Serviço de Segurança Federal, a principal agência de inteligência do país, procurava pistas no local.
Duas pessoas suspeitas de terem vinculação com a explosão foram detidas na tarde de hoje, anunciou Luzhkov. Ele não deu detalhes.
A polícia apelou à população para ajudar a encontrar um homem chamado Mukhit Laipanov, que supostamente alugou escritórios nos dois prédios explodidos. Um retrato falado de Laipanov foi distribuido após a explosão de terça-feira, que matou pelo menos 93 pessoas.
Horas depois da explosão de hoje, a polícia retirou moradores de três prédios próximos após notícias de que haviam sido encontrados explosivos num deles. A polícia informou mais tarde que na verdade haviam sido descobertos solventes industriais.
A polícia encontrou hoje, entretanto, uma grande quantidade de explosivos na periferia sudoeste de Moscou, segundo a procuradoria.
A explosão de hoje foi a quarta grande na Rússia nas últimas duas semanas, que deixaram mais de 200 pessoas mortas. Nenhum dos casos foi ainda resolvido.





