Atenas, 07 (AE-AP) - Um terremoto sacudiu hoje (07) a capital grega, matando pelo menos 30 pessoas - entre as quais 3 crianças -, ferindo dezenas e deixando cerca de 100 desaparecidos, informou o primeiro-ministro grego, Costas Simitis, que convocou seu gabinete para uma reunião de emergência.
Mais de uma centena de prédios ruíram ou ficaram seriamente danificados. Nenhum monumento histórico sofreu danos. Tanto a Acrópole quanto as colunas do Templo de Zeus (no centro da Atenas) estão intactas.
"Há muita gente soterrada", acrescentou um porta-voz do governo, admitindo que, em consequência, o número de mortos pode aumentar.
Segundo o Instituto Geodinâmico do Observatório de Atenas, o terremoto ocorreu por volta de 15 horas. Registrou 5,9 graus na escala de Richter e teve seu epicentro localizado entre os distritos de Menidi e Monte Parnes - 20 quilômetros ao norte da capital grega.
Menidi tem cerca de 1,5 milhão de habitantes - boa parte deles imigrantes. A região de Parnes é constituída na maior parte de parques. Ali, os estragos foram menores.
Espalhadas pelas áreas mais afetadas, equipes de resgate, usando cães farejadores, estão removendo escombros à procura de sobreviventes.
Em Menidi, uma fábrica de produtos farmacêuticos desabou, soterrando 70 funcionários. Os socorristas resgataram dois sem nenhum arranhão. "Há muitas pessoas com vida entre os escombros", disse o chefe da equipe para repórteres da rede de televisão grega NET, que a todo instante transmitia imagens das zonas atingidas.
Ruiu também uma creche. "Não sabemos se havia crianças no interior", disse o ministro da Saúde, Theodoros Kotsonis. Mas, segundo testemunhas", três meninos morreram, dois deles com menos de 5 anos.
Na localidade de Metamorphosi, moradores conseguiram salvar três mulheres, presas entre blocos de concreto de um prédio de quatro andares que não resistiu e veio abaixo.
O abalo derrubou também o showroom de uma empresa de produtos. Havia pelo menos 50 pessoas no interior dela.
A Grécia é sacudida com muita frequencia por terremotos secundários. É abalada por pelo menos 50% dos tremores que ocorrem no continente. Os cientistas atribuem o fenômeno à localização geográfica do país, entre as placas tectônicas da Europa e da áfrica.
Os sismólogos gregos classificaram o terremoto de "muito forte" para os padrões da região (o mais intenso deles ocorreu em 1981, registrando intensidade de 6,6 na escada de Richter). O de hoje foi sentido em toda a ática (região de Atenas), na região central do país, no norte do Peloponeso (oeste) e em Esmirna (litoral oeste da Turquia). Mas, segundo o Instituto Geogólico da Grã-Bretanha, não teve, nem de longe, o mesmo impacto do terremoto do dia 17, que atingiu a Turquia, deixando mais de 15 mil mortos, mais de 30 mil feridos e cerca de 600 mil desabrigados.
"Podemos dizer que o abalo que atingiu a Turquia foi 100 vezes pior", destacou o diretor do instituto, Glen Ford. O comentário de Ford repercutiu mal em Atenas. "O terremoto chegou a derrubar meu computador; foi vilolento", disse um funcionário do governo. "Se foi 100 vezes menor que o da Turquia, que Deus nos livre, então."
Carolyn Didonato, porta-voz do Serviço Geolótico dos EUA, concorda em parte com o Ford. Ela classificou o terremoto de Atenas de "pouco profundo", explicando que, nesse caso, as "ondas de vibração não vão tão longe" e os danos, geralmente, são reduzidos.
Ahmet Mete Isikara, chefe do Instituto Sismológico da Turquia, estabeleceu uma relação direta entre o terremoto no noroeste turco e o grego. "É um reflexo secundário", disse ele.
As comunicações sofreram interrupções, o que dificultou, em parte, as providências do governo para socorrer as vítimas. Mas até o fim da noite, o Aeroporto Internacional de Atenas continuava funcionando normalmente, informou um funcionário da companhia aérea grega Olympic Airway.
O abastecimento de combustível não vai sofrer cortes, como ocorreu na Turquia. A principal refinaria do país, embora localizada numa região afetada pelo abalo, nada sofreu.

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