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Pelo menos 200 escolas estaduais retomam aulas no modelo híbrido

Estratégia adotada foi proporcionar o retorno dos alunos mais prejudicados pelas circunstâncias impostas pela pandemia da Covid-19

Vitor Struck - Grupo Folha
Vitor Struck - Grupo Folha

Ao menos 200 colégios estaduais do Paraná, localizados em 68 municípios, retomaram as aulas presenciais no modelo híbrido nesta segunda-feira (10). Segundo diretores ouvidos pela reportagem, a ampla maioria dos alunos cujas famílias já haviam demonstrado interesse no retorno terá que aguardar um pouco mais. Isso porque a estratégia adotada por diretores e coordenadores pedagógicos neste momento é a de dar prioridade aos alunos que vinham apresentando maior prejuízo na aprendizagem e até chegaram a abandonar os estudos. Escolas de Londrina, que começou a cadastrar os profissionais da educação para receber a vacina contra a Covid-19 na semana passada, ficaram de fora dessa etapa.  


 

Número de alunos por sala foi baixo no primeiro dia do retorno das aulas presenciais
Número de alunos por sala foi baixo no primeiro dia do retorno das aulas presenciais | Seed/AEN
 


Com 533 alunos dos ensinos Fundamental II e Médio, o Colégio Estadual Cívico Militar Edith de Souza Prado de Oliveira, em Santo Antônio da Platina (Norte Pioneiro), recebeu um pequeno grupo de estudantes. Foram apenas 48, sendo 22 de turmas que vão do 6º ano do Ensino Fundamental ao 3º ano do Ensino Médio no período matutino e 26 do Fundamental II (6º ao 9º ano) no vespertino. Desta forma, algumas salas de aula contaram com um, dois ou até três alunos, em média.  


“Foram os alunos que tiveram abandono escolar. Os pais assinaram um termo dizendo que queriam que os filhos voltassem. E tem muitos pais que os alunos estão com as atividades impressas querendo voltar também. Escolhemos os que estavam com atividades atrasadas”, comentou Eliane Cristina Batista Silvério, diretora da escola, uma das três a retornarem no município de cerca de 50 mil habitantes, distante 160 quilômetros de Londrina.  


A Seed (Secretaria de Estado da Educação e Esporte) divulgou que as instituições escolhidas para o retorno nesta segunda são as localizadas em cidades cujas aulas nas redes municipais também já haviam sido retomadas, o que é não é o caso de Londrina, com aulas suspensas até 16 de maio. O motivo seriam as dificuldades logísticas para o transporte escolar e o envio da alimentação. O Paraná conta com 2.100 escolas na rede estadual. A rede atende mais de 1 milhão de estudantes.


Questionada, a Seed disse que as aulas presenciais não foram retomadas em Londrina também em razão de outros fatores. Entre eles, está o elevado número de professores e funcionários idosos, grupo considerado de risco. A reportagem entrou em contato com a chefe do Núcleo Regional de Educação de Londrina, Jéssica Pieri, mas ela preferiu não dar entrevista.


A maioria das unidades que retornaram às atividades presenciais nesta segunda é das regiões de Toledo (55), Foz do Iguaçu (27), Cascavel (22) e Umuarama (19).  Houve retomada em instituições de ensino em 15 dos 32 Núcleos Regionais de Educação.


Enquanto isso, professores e demais profissionais da educação continuam aguardando o recebimento das duas doses da vacina da Covid-19. De acordo com o governador Ratinho Junior (PSD), cerca de oito mil dos 350 mil profissionais da educação de todo o estado já foram imunizados. Entretanto, estes são apenas os que têm mais de 60 anos. Ratinho já havia adiantado que 32 mil trabalhadores seriam imunizados com as doses recebidas pelo Paraná no início da semana passada. 


Para o presidente da APP-Sindicato (Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná), Hermes Leão, o retorno é "inviável" mesmo em regiões que estão com a pandemia "mais controlada", sob o risco desses locais registrarem aumento do número de casos e de óbitos. “A retomada é inadequada e vai colocar em risco a saúde da comunidade. Dependemos da vacina para toda a sociedade porque os estudos demonstram que, abaixo de 70% da população vacinada, a retomada é inviável em qualquer uma das redes”, disse.

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