Rio, 07 (AE) - A exigência do mercado de trabalho por qualificação se refletiu nas matrículas da rede de ensino do Estado do Rio, este ano. Pelo menos 10 mil pessoas com idades acima de 21 anos, que haviam parado de estudar, procuraram a Secretaria da Educação em busca de vagas no ensino médio. A secretária Lia Faria atribui esse fato à "pressão do mercado por qualificação profissional".
É o caso de Jussara Silva, de 29 anos, moradora de Mesquita, na Baixada Fluminense. "Parei de estudar há nove anos e não consigo arrumar emprego porque sem o 2.º grau (ensino médio) realmente não dá", declarou. Jussara vai estudar à noite na escola Ana Neri, em Mesquita, e pretende trabalhar na área de enfermagem. "Nem um curso de instrumentação cirúrgica eu consegui fazer sem o diploma". Ela conta que já convenceu três amigas a retomar os estudos. Outra que matriculou-se este ano foi Oracy Mendonça da Motta, de 63 anos.
"O número deverá ser maior que 10 mil, porque esse levantamento não inclui as pessoas com idades de 16 a 21 anos que resolveram voltar a estudar", disse a secretária. Segundo ela, não há como comparar esses dados com os de anos anteriores. "Não havia controle de nada até o ano passado, só agora que temos dados informatizados sobre matrículas". Ano letivo - Hoje, 1,5 milhão de alunos da rede pública estadual - 200 mil a mais que no ano passado - começaram o ano letivo, mas ainda há 14 mil na lista de espera por vagas, de acordo com dados da secretaria. Lia Faria afirmou que todos estarão matriculados até o dia 21 deste mês. "É um compromisso do governo", garantiu. A secretária explicou que, para disponibilizar as vagas, o Estado alugou seis prédios de escolas particulares e vai utilizar 13 escolas do Município no período noturno. Classe média - De acordo com a Secretaria da Educação, dos alunos já matriculados, 28.500 vieram de escolas particulares. "Esse é outro fenômeno constatado este ano, que atribuo à situação financeira das famílias de classe média e, também, à crescente confiança no sistema educacional", disse a secretária. Segundo ela, houve um aumento de 50% em relação ao ano passado na procura por escolas públicas - em 1999, o crescimento fora de 10% sobre 1998.

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