Pele, osso e líquor absorvem impacto
O neurocirurgião Breno Ferraz, de Londrina, explica que de maneira geral, a pele, o osso e o líquor (líquido que circula na espinha e cérebro) são fatores que amortecem o impacto sobre a cabeça. Por isso, pode haver fraturas e afundamento mediante um grande impacto, sem que se atinja o cérebro, e sem que seja necessariamente grave. ''Fratura significa que naquele ponto houve maior absorção de impacto, impedindo a destruição de tecidos melhores'', avalia. Por outro lado, pressupõe-se que quanto mais forte o traumatismo, maior a chance de se quebrar o osso.
O médico explica que o traumatismo pode ser no tecido externo, sobre a pele ou osso, e pode ser na camada interna, causando hematomas ou hemorragias intra-cerebrais, que tendem a ser mais graves. O traumatismo de crânio pode ser classificado como leve, moderado e grave, mas sempre levando em conta o estado do paciente, e não a gravidade do ocorrido.
Outra classificação para as consequências de um traumatismo é a chamada lesão de primeiro acidente e lesão de segundo acidente. No primeiro caso, a lesão acontece no momento do impacto. ''Por exemplo, um tiro. Na hora que a bala está entrando, já está acontecendo a lesão''. No segundo, o paciente terá uma lesão com o passar do tempo, normalmente relacionada com a formação de hematomas. A lesão pode ser precoce, e aparecer minutos ou horas depois, ou tardia, com complicações até meses depois. ''Em situações muito excepcionais, alguns anos depois'', ressalta.
O paciente que sofre um traumatismo craniano, explica o neurologista, é observado segundo critérios da escala de Glasgow, criada para padronizar o diagnóstico desse tipo de acidente, e leva em contra três critérios - de melhor resposta verbal, melhor resposta motora e abertura dos olhos.
A vantagem dessa escala é que o paciente é avaliado no local do acidente, durante o transporte, quando o chega ao hospital e algumas horas depois, sempre com o mesmo padrão. ''A escala de Glasgow e a tomografia mudaram a neurologia em relação ao traumatismo'', completa.
Ferraz explica que não há remédio para traumatismo. ''Quando você opera o hematoma, não está tratando o traumatismo, ele já aconteceu, mas você está tirando um fator que vai piorar o processo. O 'remédio' eficaz é a cirurgia, o resto é não deixar complicar, salvar o que está bom e medicar para que o paciente não complique'', avalia.(C.P.)





