Casos de queimaduras e doenças congênitas da pele já têm um novo tratamento com maior resolutividade, e menos sequelas. Trata-se de uma pele artificial, criada no Massachusetts Institute of Technology (MIT), nos Estados Unidos, feita da matriz de colágeno bovino e uma proteína extraída da cartilagem de tubarão.
No Brasil, segundo o cirurgião pediátrico Lúcio Marchese, apesar de aprovada pelo Ministério da Saúde desde janeiro de 2001, ainda é usada apenas em São Paulo e Florianópolis, principalmente por causa do alto custo. Mas o médico, que também é professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL), já pretende utilizar a técnica na cidade, assim que terminar seu treinamento no Hospital Infantil Joana de Gusmão, na capital de Santa Catarina.
Marchese explica que a pele artificial substitui o tratamento com enxertos de pele do próprio paciente ou de doadores, em casos de queimaduras de terceiro grau e doenças congênitas. As queimaduras de terceiro grau são aquelas deformantes, explica o médico, que atingem toda profundidade da pele - derme e epiderme.
No tratamento convencional, segundo Marchese, o paciente queimado passa meses no hospital entre enxertos e a já prevista rejeição dessa pele, até que haja a reconstrução da derme. O resultado, porém, normalmente são sequelas como cicatrizes e quelóides, crescimento exagerado da pele no local, que fica endurecido. ''Além de danos estéticos severos, há perda da elasticidade'', completa.
Com o novo tratamento, explica Marchese, a pele artificial é colocada sobre a queimadura uma única vez, ao invés da troca a cada três dias no tratamento convencional, reduzindo o sofrimento do paciente. Com a ferida coberta, a placa de pele artificial reduz riscos de contaminação e a perda excessiva de umidade. Para tanto, também é colocada sob a pele artificial, uma película de silicone. ''Enquanto isso, é formada por baixo uma derme nova'', explica.
Depois a camada de silicone é retirada para a aplicação do enxerto definitivo, desta vez da própria pele do paciente. Todo esse processo é relativamente rápido: ''De três a cinco dias para definir a área da queimadura, de 10 a 14 dias para se integrar o enxerto, e cinco dias para 'pegar' a epiderme, enquanto no (tratamento) convencional são meses de internação. Com a pele artificial não se forma cicatriz ou quelóide'', ressalta Marchese.
Outra vantagem da pele artificial, segundo o médico, é a possibilidade de tratar a própria sequela nas pessoas que fizeram o tratamento convencional, retirando-se cirurgicamente a camada de pele onde se formou a cicatriz ou o quelóide e procedendo como nos casos de queimadura. Da mesma maneira, no portador de doença congênita, a lesão é retirada para a aplicação de pele artificial.
Casos de nevos gigantes, doença que afeta principalmente o rosto com manchas escuras com pelo, e casos de emangiomas gigantes, tumores vasculares que causam manchas vermelhas na maioria dos casos no rosto, também são beneficiados com a técnica.
Marchese defende a qualidade de vida para o paciente que sofreu queimaduras ou é portador de uma doença congênita: ''Cicatrizes e sequelas marcam gravemente a pessoa, podem interferir nas relações interpessoais, dificultar relacionamentos, trabalho, estudo. O que adianta salvar uma criança e deixá-la desajustada o resto da vida?'', pondera.

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