Sem mãos dadas na oração do Pai Nosso. Na comunhão, a hóstia consagrada será colocada diretamente nas mãos e não na boca. Já o "Abraço da Paz", antes realizado durante a celebração, passa para o momento de despedida dos fiéis. Essas três medidas estão previstas no decreto assinado nesta semana pelo Arcebispo Dom Orlando Brandes para evitar a transmissão do vírus H1N1, responsável pela Gripe A. A intenção é reduzir os riscos de propagação da doença que, desde janeiro, já matou cinco pessoas em Londrina.
O coordenador de Ação Evangelizadora da Arquidiocese de Londrina, Padre Joel Ribeiro Medeiros, explica que o decreto foi assinado após pedidos feitos por profissionais da saúde e pela própria comunidade. Medidas semelhantes já foram adotadas nos anos anteriores. "Uma vez um pequeno grupo reagiu em relação a comunhão não ser dada diretamente na boca. Mas são medidas importantes neste período. São pequenos gestos que parecem inofensivos, mas estamos pensando no bem do povo. Rezar é ter essa comunhão com a vida. Saúde é um dom de Deus e a gente tem que cuidar", lembrou.
Segundo ele, os padres foram orientados a ler o decreto para a comunidade durante as celebrações realizadas neste final de semana. Ao todo, 84 paróquias em 16 municípios fazem parte da Arquidiocese de Londrina. Igrejas do interior de São Paulo, de Minas Gerais e do Mato Grosso do Sul também adotaram medidas semelhantes.
Na última quinta-feira, fiéis já participaram da celebração seguindo as recomendações feitas por Dom Orlando. Para o engenheiro Vitor Koga, a iniciativa está correta. "A fé permanece e vai além. Está nas ações do dia a dia", afirmou. "São medidas pequenas que não interferem", concordou o administrador de empresas Ângelo da Cruz. "Isso não compromete. É só uma prevenção. Muitas vezes, a gente vem da rua, sai do trabalho e não tem como higienizar as mãos. São detalhes que não prejudicam a fé", afirmou o contador Fernando Alves.
O Padre Lino Moreira, nascido em Portugal, celebrou a missa na capela da Catedral de Londrina. Ele ressaltou que as providências são necessárias e temporárias. "Em Portugal também foram tomaram as mesmas medidas quando ocorreu o surto de gripe A. Foi transitório, depois a celebração voltou a ser realizada como antes. Nós respeitamos também a liberdade dos fiéis", ressaltou. Em Portugal, segundo ele, poucos cleros conservadores se opuseram. A maioria entendeu o objetivo de evitar a propagação do vírus.
De janeiro até a última semana, 30 casos de H1N1 haviam sido confirmados em Londrina. De acordo com o secretário municipal de Saúde, Gilberto Martin, outros 128 casos de Síndrome Respiratória Aguda (Srag) causados por outros vírus também foram diagnosticados na cidade.
"Acho corretíssima essa medida. A gente sabe que a principal forma de transmissão se dá através do contato da saliva com as mãos, de uma pessoa para outra. Do ponto de vista epidemiológico, ele está muito certo nesta decisão. A cidade está em alerta", afirmou.
Mesmo com a realização da Campanha de Vacinação contra a Gripe, outras medidas de prevenção como a lavagem frequente das mãos e o uso de álcool em gel são necessárias. "Não damos tanta importância, mas aquilo que o mosquito Aedes faz com a dengue, as nossas próprias mãos fazem em relação a Gripe A, que é a transmissão. É preciso estar atento sempre", finalizou o secretário.

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