Montevidéu (AE-AP) - Pela primeira vez na história do Uruguai
um socialista pode tornar-se presidente do país, caso Tabaré Vázquez ganhe o segundo turno das eleições no próximo domingo.
Candidato da heterogênea coalizão esquerdista Frente Ampla-Encontro Progressista, Vázquez, de 59 anos, médico oncologista, ganhou com 39,06% dos votos no primeiro turno, ocorrido no dia 31 de outubro.
No pleito de domingo os eleitores escolherão entre Vázquez e o liberal Jorge Battle, do Partido Colorado, que ficou em segundo lugar no primeiro turno. Os dois foram para o segundo turno por não terem obtido a maioria necessária.
Embora as últimas pesquisas de opinião não mostrem mudanças nas intenções de votos, algumas indicam a vitória da Batlle. No entanto, nada indica que o resultado obtido no primeiro turno vá realmente se repetir.
Conhecido oncologista e empresário, Vázquez provoca simpatias e ódios na mesma proporção.
O candidato socialista com inclinações marxistas modificou ostensivamente seu discursos para tentar atrair os setores moderados e independentes que não comungavam com suas mensagens carregadas de radicalismos.
Vázquez comprometeu-se com uma política gradual e de estabilidade me relação aos grandes alinhamentos econômicos, a manter os níveis do déficit fiscal e as políticas cambial e financeira sem modificações.
Porém, deve fazer frente a um inimigo inesperado que surgiu de suas próprias entranhas: a política tributária a ser implantada por seu governo.
A criação do Imposto de Renda para Pessoas Físicas provocou controvérsia quando Vázquez disse que o imposto seria cobrado de pessoas com renda a partir de 12.500 pesos (cerca de US$ 1.100), para arrecadar US$ 750 milhões, aumentando o número de famílias contribuintes em 750 mil.
A proposto foi rapidamente aproveitada por Battle, que advertiu que a aplicação deste imposto significaria o desaparecimento da classe média, além de afirmar que pagariam mais os que têm menos.
Assim mesmo Vázquez enfrentou problemas com as declarações de seus assessores econômicos, que anunciaram o virtual fim do sigilo bancário e a criação de clube de devedores para a dívida externa.
Em meio a esta controvérsia, seu provável ministro Danilo Astori, assegurou que o sigilo bancário será mantido, que não haverá auditoria sobre a dívida, que os compromissos internacionais serão respeitados pela Frente-Ampla e que não haverá imposições sobre os depósitos bancários.
A incógnita para Vázquez no próximo domingo é saber se estes esclarecimentos e afirmações serão aceitas pelos eleitores. Vázquez foi o primeiro socialista a chegar à prefeitura de Montevidéu, onde vivem 45% da população do país. Seu mandato foi de 1990 a 1995 e foi marcado por controvérsias e por um déficit estimado em US$ 25 milhões.
A Frente Ampla foi formada em 1971 e se converteu em uma alternativa para o tradicional bipartidarismo uruguaio, representado pelos partidos Nacional Blanco e Colorado.
No primeiro turno, a vitória da esquerda rompeu esta situação
ao deixar o partido Nacional Blanco em terceiro lugar.
Se Vázquez conquistar o cargo de presidente, não contará com a maioria absoluta no poder legislativo, que o forçaria a negociar com as demais forças para conseguir sancionar novas leis.

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