Peixe contaminado por óleo pode causar tumores malignos
A população ribeirinha e os profissionais da pesca foram um dos principais prejudicados com o desastre ambiental. A pesca local pode levar algum tempo para se recuperar, advertem os técnicos do Ibama. Segundo eles, os peixes que entraram em contato com o produto são inadequados para venda porque podem conter em seus tecidos substâncias derivadas do óleo.
O óleo vazado em Araucária foi do tipo Cusiana e possui alto teor de alcanos, que são voláteis e hidrossolúveis. Mas o óleo em suspensão no leito do rio é altamente tóxico para larvas e ovos de peixes. Os técnicos fizeram uma coleta de peixes vivos e constataram que a maioria apresentava hemorragias internas.
Além dos odores e sabores desagradáveis, os peixes contaminados podem prejudicar a saúde dos consumidores.
Segundo o laudo, alimentos contaminados por compostos de óleo podem conter baixas concentrações de carcinogênicos, substâncias que podem estimular o desenvolvimento de tumores malignos no organismo.
A estatística de animais mortos pode estar subestimada. O laudo do Ibama conclui que muitos animais podem ter sido levados pela correnteza em função das chuvas que caíram na área. Até o dia 27 de julho, 263 martim-pescador, garça branca, marreca dágua, entre outras aves, foram levadas ao Zoológico de Curitiba. As que não chegaram mortas, morreram dois dias depois, observa o laudo.
O maior vazamento de óleo provocado pela Petrobras atingiu diretamente três locais, de acordo com o laudo: Araucária (um pólo industrial com 90.578 habitantes), Balsa Nova (onde se produz batatas e cebola) e General Lúcio (uma localidade com moradias e Igreja). Duas unidades de conservação estaduais foram atingidas, o Parque Estadual do Monge e a Área de Proteção Ambiental Escarpas do Devoniano.(S.S.)





