Brasília, 28 (AE) - A escolha do senador Luiz Estêvão (PMDB-DF), investigado pela CPI do Judiciário do Senado, para ser um dos sub-relatores do Plano Plurianual (PPA) no Congresso divide seu prórpio partido, o PMDB. O relator geral do PPA, deputado Renato Vianna (PMDB-SC), propôs hoje que o senador desista da função. "Ele poderia declinar da sub-relatoria, porque está muito exposto, torna-se uma vidraça e isto não faz bem nem para ele, nem para o partido", disse Vianna. Apesar do mal estar provocado pela indicação, os líderes governistas e da oposição não deverão impedir que Luiz Estêvão assuma a incumbência.
O PPA é um programa que envolve um conjunto de 365 projetos para serem desenvolvidos em quatro anos, com recursos de R$ 1,1 trilhão. Luiz Estêvão manteve transações financeiras com a empreiteira Incal, responsável pela construção do Fórum Trabalhista de São Paulo, onde foi constatado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) um desvio de verbas da ordem de R$ 169 milhões.
"Há um acordo entre os partidos para que não haja vetos na escolha dos sub-relatores e ninguém da base governista tem qualquer intenção de desrespeitar o acerto ", disse o líder do governo no Congresso, deputado Artur Virgílio Neto (PSDB-AM). Segundo Virgílio, "O PMDB sabe que tem um senador objeto de investigação por uma CPI e consciente disto resolveu indicá-lo, mostrando assim que confia nele." O líder governista disse que isso torna o partido "o avalista e o único responsável pelo desempenho do senador diante da sub-relatoria".
Para o líder do PDT na Câmara, Miro Teixeira (RJ), "a conjuntura política condena Luiz Estêvão, mas o estado de direito o protege". Para o pedetista, a nomeação do senador foi "um equívoco político do PMDB", mas não deverá alterar a tramitação do PPA.

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