Goiânia, 21 (AE) - O pedreiro M.S.N., de 32 anos, teve o pênis reimplantado horas depois de decepá-lo com uma faca de cozinha, ontem. Segundo os médicos do Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo) que fizeram a cirurgia, o primeiro caso registrado na capital goiana, M. tem entre 80% e 90% de chances de recuperação plena. A operação, que se prolongou por sete horas, terminou na madrugada de hoje.
Ontem à tarde, dizendo-se possuído pelo demônio, M., entrou na casa de uma vizinha, na Vila Alvorada, na periferia de Goiânia, correu para a cozinha, pegou uma faca e cravou no peito e barriga. Ao ver o pedreiro deitado na cozinha em uma poça de sangue a dona de casa gritou por ajuda. A Polícia Militar foi acionada e ameaçou prender o pedreiro, que em resposta decepou o próprio pênis. Ele foi levado às pressas ao Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo). O órgão decepado foi colocado em um saco plástico e também encaminhado para o hospital. Lá, o pedreiro deu entrada também com ferimentos graves no fígado e na bolsa escrotal. Sucesso - Em entrevista hoje à tarde, a equipe responsável pelo reimplante considerou o procedimento "um sucesso". A perspectiva é de que ele recupere plenamente a capacidade miccional. Quanto à possibilidade de M. voltar a ter relacionamentos sexuais, os médicos acreditam que é necessário mais tempo. O mais provável é que M. tenha de usar uma prótese para chegar à ereção.
De acordo com o urologista Zaki Khalil El Chater Júnior, responsável pela microcirurgia de reconstrução de veias, artérias e uretra, as próximas horas são decisivas na recuperação do paciente. "Há risco de infecção ou rejeição do órgão", disse. "Tudo vai depender das próximas 72 horas".
O médico lembrou que o órgão genital chegou ao hospital em um saco plástico não esterilizado e em líquido desconhecido, o que aumenta as chances de contaminação. Nesses casos, o ideal é que o órgão decepado seja levado ao hospital em um saco dentro de outro recipiente com gelo.
Testemunhas que conheciam o rapaz contaram à polícia que ele teria dito ser vítima de trabalho de macumba. Segundo vizinhos, M. estava separado da mulher há mais de um ano e enfrenta um processo pleo pagamento de pensão alimentícia movido pela ex-mulher.

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