Tijolo por tijolo. Assim o pedreiro José Aparecido da Silva, 30 anos, construiu a estrada que o levou à UEL. Filho de lavradores analfabetos, o agora calouro do curso de Geografia conta que sempre foi aluno na vida e que nunca desistiu do sonho de conquistar uma cadeira em um curso superior. Ele refuta o rótulo de ''exemplo'' mas é impossível não ver nele um caso raro de superação. Alcançada a meta, ele agora quer concluir o curso para trabalhar na conservação ambiental de Tamarana, sua cidade natal.
Funcionário público municipal, Silva relembra que morou na zona rural até os 17 anos e por isso a escola foi abandonada quando concluiu os primeiros quatro anos escolares. Na cidade, novamente desistiu dos estudos porque precisava trabalhar. Apenas aos 29 anos, voltou a sentar-se em um banco escolar através do Serviço de Aprendizagem de Jovens e Adultos, uma espécie de supletivo em que cursou os quatro anos que faltavam do ensino básico. No ano passado, matriculou-se no Colégio Estadual Maria Cintra Alcântara e, ao passar por um teste de avaliação, foi direto para o último ano do ensino médio.
A faculdade estava cada vez mais perto. Como sabia do sistema de cotas da UEL, decidiu se inscrever no vestibular mas errou no preenchimento do formulário e acabou disputando vaga com os candidatos inscritos no sistema universal. Foi aprovado na 15 colocação. Sorte? Ele não usa essa palavra. ''Sempre fui aluno e mesmo estando fora da escola sempre gostei de me manter informado'', comenta. Para ele, tanto na escola pública quanto na particular, é o material humano que faz a diferença. ''A escola é só um catalisador. O importante é quem está ali dentro'', fala.
E o pedreiro já tem planos para quando se formar. Como seu município é cheio de belezas naturais e é morada de tribos indígenas, Silva quer direcionar o curso para a área ambiental e continuar em Tamarana.(L.A.)

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