Se o assunto é ‘‘pedra nos rins’’, é quase certo que os relatos incluam episódios de grande dor. Mas o que vem aparecendo com cada vez mais freqüência - para surpresa de adultos - são crianças, e até bebês, com problema de cálculo renal. ‘‘Cálculo renal sempre foi considerado coisa de adulto, e nem se ouvia falar disso em crianças. Mas o número de casos está se tornando muito freqüente e isso é uma tendência mundial’’, atesta a nefropediatra Solange Farah Ramos de Mello, de Londrina.
Entre os fatores para esse aumento no número de casos infantis, segundo a médica, está o diagnóstico precoce, já que o ultra-som facilitou a detecção dos chamados microcálculos - os cálculos ainda em formação. Outro fator, este na opinião da especialista um dos mais importantes, é o hábito alimentar das crianças - que ingerem grandes quantidades de sal na forma de alimentos industrializados e lanches rápidos, e ingerem pouco líquido. ‘‘Não é só o sal que
se coloca no alimento, mas aquele presentes nos alimentos prontos, nos temperos de macarrão’’, ressalta Solange.
Os cálculos são formados dentro dos rins, mas também aparecem na bexiga urinária. ‘‘Eles são os produtos de um complexo fenômeno físico-químico, resultando na agregação de cristais dissolvidos na urina por excesso ou pela falta de utilidade’’, diz o urologista
Paulo Rodrigues, do Hospital Santa Paula, de São Paulo. O sal age como um facilitador na eliminação do cálcio, uma das ‘‘matérias-primas’’ para a formação dos cálculos. ‘‘A alimentação faz uma grande diferença, as crianças de hoje ingerem muito sal, pouca água e muito refrigerante’’, alerta Solange, lembrando que o histórico familiar também é decisivo no aparecimento da doença.
A falta de atividade física entre as crianças - comportamento favorecido pelo atual estilo de vida que inclui computadores, videogames e indivíduos que quase não caminham para ir de um lugar ao outro - é outro fator que favorece a formação das pedras. Além desses, a bactéria que causa a infecção urinária também colabora para a formação dos cálculos.
Diferentemente dos adultos, são poucas as crianças que chegam a ter as sofridas cólicas renais. ‘‘Como na criança o cálculo é recém-formado, ocorre com mais freqüência a eliminação de fragmentos, que pode causar dor ou urina com sangue. Mas, eventualmente, ocorrem cólicas, e, se é intensa como a do adulto, elas também precisam de atendimento hospitalar’’, explica a médica. Nos adultos, as cólicas na região lombar, abruptas, costumam vir acompanhadas de náuseas e vômitos e dificuldades para urinar. Segundo a Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), cerca de 10% da população pode experimentar este sofrimento ao longo da vida.
O tratamento na criança, segundo a médica, é principalmente preventivo, para tentar evitar que os cálculos cresçam. Com o chamado estudo metabólico, que inclui exames de sangue e da urina de um dia inteiro, é possível dosar os elementos formadores do cálculo e saber se é necessário medicação para corrigi-los. ‘‘Há casos em que a criança só precisa usar a medicação por um tempo, e isso se normaliza, evitando que ela seja um adolescente ou adulto com cálculo. A maioria consegue melhorar com mudança de hábitos na família’’, afirma Solange. (Com Agência Estado)

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