O Instituto Keynes realizou ontem no Hotel Sumatra um seminário de Psicologia jurídica sobre o comportamento criminal sob a ótica da Psicologia americana. Um dos palestrantes foi o psicólogo Joseph Segriff, de Nova Jersey (EUA), que abordou sobre os aspectos criminogênicos e civis da psicologia forense. A reportagem da FOLHA pediu para que ele comentasse o caso de Marcos Colli, que cumpre a pena de 224 anos de prisão – resultado de três condenações por estupro de vulneráveis - na Penitenciária Estadual de Piraquara (PEP 2), na região metropolitana de Curitiba. Segundo Segriff, "pedófilos não são monstros, mas fazem coisas monstruosas". Ele explica que um pedófilo ou um estuprador pode ter o que se chama de distorção cognitiva. "Uma pessoa condenada por pedofilia dizia que a neta dele de 8 anos estava flertando com ele. Na realidade ele teve essa distorção para fazer o que ele queria", destaca.
Essas pessoas justificam assim para aparentar normalidade, jogando a culpa na vítima. "Da mesma forma alguns estupradores justificam que suas vítimas estavam usando um vestido muito curto", frisa. Sobre o caso Colli, ele pondera que existem muitas teorias para explicar esse tipo de comportamento. "Não há apenas uma explicação para que esse advogado e ex-candidato a prefeito tenha feito isso. Uma das hipóteses é que se a pessoa foi abusada sexualmente na infância, há uma chance maior de que cometa abusos quando se tornar um adulto", afirma.
Segriff explica que da mesma forma que os gays não sabem porquê sentem atrações por pessoas do mesmo sexo, ou os heterossexuais não sabem porquê se interessam por pessoas do sexo oposto, os pedófilos não sabem dizer porquê sentem atração por crianças. "Mas temos leis e mesmo que seja um sexo consentido, continua sendo estupro", enfatiza.
Segriff salienta que para controlar isso, nós precisamos de terapeutas que possam ajudar essas pessoas. "Se a pessoa se tornar mais conectada emocionalmente com sua vida, com seus pais e com a comunidade em que vive não vai querer agredir ninguém e vai entender mais a si mesmo, mas isso é algo muito difícil de se conseguir. É como um tratamento contra o vício de drogas. Há um processo", observa. O psicólogo critica aqueles que fazem um julgamento moral sobre essas pessoas. "Você deve separar as pessoas das coisas que elas fazem.", avalia.

ACOMPANHAMENTO
Ele aponta que esses criminosos devem ser acompanhados bem de perto após serem libertados da prisão. "Depois que eles cumprirem a pena, você não pode deixá-los partir e dizer, ‘agora você pode voltar para a sociedade’.
O palestrante destaca que muitos criminosos sexuais praticam o que se chama biastofilia, que é um padrão de comportamento sexual no qual, em geral, a fonte predominante de prazer não se encontra na cópula, mas em alguma outra atividade, que no caso consiste em atacar sexualmente uma pessoa desconhecida. "Essas pessoas se excitam quando uma pessoa resiste às suas investidas. Se uma pessoa dessas é castrada sexualmente, ela deixa de ter prazer nisso, entretanto algumas querem ter além do sexo, o controle sobre outras mulheres. Por isso não há garantias de que ele não faça outra coisa como substituição à penetração", explica.
Além de Segriff, outros dois palestrantes participaram do evento: Alessandra Navarro Fernandes, docente na Universidade Estadual de Londrina nos cursos de Letras e Jornalismo, que falou sobre "O Corpo Morto entre a Ciência, a Arte e os Colecionadores"; e Rodrigo Soares Santos, graduado em Psicologia pela Universidade Federal do Paraná e Mestre em Avaliação Psicológica pela Universidade São Francisco, que discorreu sobre a "História dos Perfis Criminais" e "Classificações Criminológicas".

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