Brasília - Ao rotular de ''gravíssimo'' o recente caso de pedofilia de uma padre maranhense, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) admitiu ontem preocupação com a imagem da Igreja Católica devido aos escândalos de exploração sexual de crianças e adolescentes no país.
Segundo a conferência, os casos de pedofilia entre religiosos fazem parte de um contexto de ''clima não sadio'' na sociedade.
''É causa de um sofrimento muito grande para nós, que um nosso irmão (padre maranhense) tenha chegado a essa situação. E não podemos compactuar com ele'', afirmou hoje, em entrevista, dom Geraldo Majella Agnelo, arcebispo de Salvador e presidente nacional da CNBB.
Segundo ele, o padre deve ter uma punição exemplar tanto na igreja como na Justiça. ''É um ato gravíssimo de comportamento dele e, portanto, que ele deve estar sujeito às penas eclesiásticas e também às penas que a sociedade e o Estado têm para esse comportamento'', afirmou.
Também presente à entrevista, o vice da conferência, dom Antônio Celso de Queirós, admitiu a preocupação da Igreja Católica com os escândalos de exploração sexual. ''A nossa preocupação é com o escândalo, que alguém se escandalize demais sem compreender a fragilidade humana. E dizer, por causa disso: ''Eu não acredito mais (na evangelização da Igreja Católica)'.''
Dom Antônio, bispo de Catanduva (SP), justificou: ''Ele errou profundamente, mas o clima que ele vive não é sadio. O clima que nós vivemos hoje não é sadio nos aspecto de controle desse clima que nos distrai, liberdade, novelas. A liberdade enlouquece também''.
Também ontem, em nota encaminhada ao Congresso, ao Palácio do Planalto e ao Supremo Tribunal Federal, a CNBB criticou a discussão na Câmara e no Senado de projeto que trata da legalização do aborto.

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