Pedidos por Justiça marcam missa em homenagem a Marielle Franco e Anderson Gomes
Cinco anos após assassinatos de vereadora e motorista, caso segue sem que executores tenham sido julgados
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terça-feira, 14 de março de 2023
Cinco anos após assassinatos de vereadora e motorista, caso segue sem que executores tenham sido julgados
Bruna Fantti e Cristina Camargo Folhapress 

Rio de Janeiro e São Paulo - Lágrimas e pedidos de Justiça marcaram a missa em memória de Marielle Franco e Anderson Gomes, realizada nesta terça-feira (14), na Igreja Nossa Senhora do Parto, no centro do Rio de Janeiro. A cerimônia faz parte das homenagens aos cinco anos dos assassinatos.
A vereadora do PSOL e seu motorista foram mortos a tiros em 2018.
Na primeira fileira, a filha de Marielle, Luyara, e os pais, Marinete da Silva e Antônio Francisco da Silva Neto, acompanharam a celebração ao lado da viúva da vereadora, vereadora Monica Benicio (PSOL).

Por diversas vezes, Monica chorou e foi amparada pela mãe de Marielle. "Infelizmente, o Estado brasileiro ao não responder [quem matou Marielle] faz com que a gente precise não só revisitar as saudades, mas também revisitar a violência para seguir cobrando justiça, para que nunca mais aconteça nada parecido", disse, ao final da missa.
Agatha Arnaus, viúva de Anderson, também acompanhou a celebração. Ela vestia uma blusa que pedia Justiça. Quando Anderson morreu, o filho deles tinha um ano de idade. "Depois de cinco anos acaba que a saudade toma um lugar diferente. Meu filho tem seis anos, foco nele, então a vida vai sendo tocada, né? É inevitável, só seguir. Mas estou aqui em memória do Anderson, pelo Anderson, para que ele tenha muito orgulho da gente também", disse.
A deputada estadual Renata Souza acompanhou a cerimônia ao lado da vereadora Luciana Boiteux, ambas do PSOL.
A vereadora Mônica Cunha, do mesmo partido, a deputada estadual Marina do MST (PT), o vereador Edson Santos (PT) e os ex-deputados Waldeck Carneiro e Mônica Francisco também participaram da missa.
Os cinco anos do crime são marcados também por atividades culturais pela cidade e por reuniões do Comitê Justiça por Marielle e Anderson com autoridades responsáveis pela investigação do crime. O comitê é formado pelo Instituto Marielle Franco, pela vereadora Monica Benício, por Agatha Reis e pelas organizações Justiça Global, Terra de Direitos Coalizão Negra por Direitos e Anistia Internacional.

ESCULTURA GIGANTE
Uma Marielle Franco gigante em frente ao Museu de Arte do Rio é uma das obras de arte que ajuda a ecoar nesta terça-feira (14) a pergunta repetida a cinco anos por familiares, amigos e aliados políticos da vereadora: quem mandou matar e por quê?
A escultura "Corte Seco - Marielle", de 11 metros de altura, foi doada pelo artista Paulo Nazareth para o Instituto Marielle Franco e ficará nos pilotis do museu, na praça Mauá.
A instalação da obra faz parte das atividades que marcam o quinto ano do crime, no dia 14 de março de 2018. A inauguração obra ocorreu nesta terça (14) e a escultura foi aberta para visitação do público.
Outra atividade, das 10h às 17h, será a instalação A Voz de Marielle, no Museu do Amanhã, também na região central do Rio. A iniciativa conecta imagens da vereadora a trechos de alguns de seus discursos.
Os cinco anos do crime são marcados também por reuniões do Comitê Justiça por Marielle e Anderson com autoridades responsáveis pela investigação do crime. O comitê é formado pelo Instituto Marielle Franco, pela vereadora Mônica Benício (PSOL), viúva de Marielle, por Agatha Reis, viúva de Anderson, e pelas organizações Justiça Global, Terra de Direitos Coalizão Negra por Direitos e Anistia Internacional.
Os assassinatos completam meia década sem que seus executores tenham sido julgados sequer em primeira instância, e sem que haja uma conclusão sobre a existência ou não de um mandante do crime.
Acusado de ser o responsável pelos disparos que atingiram a vereadora e seu motorista, Ronnie Lessa só foi expulso da PM neste ano em razão da condenação por comércio ilegal de armas na Justiça Federal.
O ex-PM Élcio Queiroz permanece preso em razão da acusação de ter dirigido o veículo para que Lessa disparasse contra as vítimas.


