Pedido para julgar Cubas só deve ser resolvido em abril
Assunção, 17 (AE-REUTERS) - A Câmara de Deputados do Paraguai decidiu hoje (17) que o pedido de julgamento do presidente Raúl Cubas só deve ser decidido no próximo dia 7 de abril. Em meio a uma grande crise política, o Congresso, de maioria oposicionista, acusa o presidente de se levantar contra uma decisão da Suprema Corte de Justiça. Cubas é acusado de ter mandado soltar da cadeia o ex-general golpista Lino Oviedo, seu principal aliado político.
Os legisladores necessitam do apoio de dois terços de seus integrantes para acusar o presidente no Congresso e, posteriormente, levar o caso ao Senado. Nesta casa, precisam do mesmo número de votos para pedir o impeachment do presidente. Os deputados simpatizantes a Cubas e Oviedo queriam que a questão fosse resolvida hoje mesmo. Argumentavam ter os votos suficientes para mandar a questão para arquivo. A proposta desses deputados perdeu por 44 a 27.
Ontem, Cubas recorreu a um juiz pedindo ajuda contra o processo político com o argumento de que a pressão do Congresso é uma "ameaça" ao seu cargo. O magistrado não concedeu de imediato a medida de amparo ao presidente. Para o "oviedista" Carmelo Benítez o adiamento foi uma vitória já que mostrou que "os falso democratas não têm força para levar o julgamento político adiante". Para o oposicionista Marcelo Duarte "não é de se estranhar o adiamento já que uma maioria quer estudar o assunto com mais calma".
Oviedo foi sentenciado a pena de dez anos em março de 1998 por tentar um golpe de Estado em 96 contra o então presidente Juan Carlos Wasmosy. Cubas libertou-o em agosto, cinco meses depois. Tomara posse havia três dias. Sua medida desatou uma crise institucional que colocou no ringue o executivo, o legislativo e o judiciário.
Num dos últimos episódios violentos, partidários de Oviedo e Cubas ocuparam, domingo, o comitê central do Partido Colorado, no poder. Expulsaram representantes de correntes dissidentes do partido e nomearam uma nova direção. Hoje, o Tribunal Superior de Justiça Eleitoral deu ganho de causa à direção anterior, cujo mandato vence no próximo dia 9 de maio.





