São Paulo, 31 (AE) - A vereadora Ana Martins (PC do B) precisa de apenas mais uma assinatura de algum colega da Câmara Municipal para dar entrada no pedido de abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar denúncias de corrupção na área de Saúde do Município e irregularidades na introdução do PAS.
Segundo ela, o setor, em São Paulo, tem gasto entre R$ 800 milhões e R$ 1,2 bilhão ao ano, enquanto o orçamento do Estado para a mesma área é de R$ 1,3 bilhão. "É dinheiro demais para serviço de menos", aponta. "Desmontaram o sistema público de Saúde, que já era precário, para permitir a ingerência política e o superfaturamento."
A vereadora decidiu lutar por uma CPI à parte da que investiga a máfia dos fiscais, para aprofundar a apuração das denúncias de irregularidades na área de saúde. O Jornal da Tarde, esta semana
publicou reportagens mostrando que a Prefeitura gastou R$ 1,5 milhão na compra de kits para testes de DNA pela Administração Regional de Saúde, que abrange a região norte (ARS-7).
Conforme denúncia feita pelo deputado estadual Afanásio Jazadji (PFL), a ARS-7, controlada politicamente pelo ex-vereador e atual deputado federal Nelo Rodolfo (PPB), teria comprado os kits em troca do pagamento de propina. Rodolfo nega a acusação.
A Secretaria Municipal da Saúde, entre dezembro de 95 e dezembro de 97, teria adquirido cada "kit", composto por dois cotonetes embalados em plástico, por R$ 30."É um escândalo que merecia cadeia imediata", diz a vereadora.
Segundo ela, a lei que criou o PAS no Município de São Paulo é "um cheque em branco" passado pelo prefeito: "Dá margem a compras sem licitação e a outras irregularidades." "O PAS não é uma cooperativa, é uma farsa, pois o cooperativismo tem princípios", acusou.
Para Ana Martins, houve um desmonte do serviço público e 27 mil funcionários foram desperdiçados. "Há médicos até na Guarda Civil Metropolitana." Ela espera, até terça-feira, dar entrada no pedido de abertura da CPI. "Tenho a promessa de alguns vereadores."
Brechas - O módulo 11 do PAS, na região da Brasilândia, é um exemplo das brechas para irregularidades no sistema. A unidade tinha o controle político do ex-vereador e deputado estadual Hanna Garib (suspenso do PPB) que recebeu de fornecedores R$ 100 mil para sua campanha eleitoral. E o Jornal da Tarde apurou que, após Garib sair do controle, o preço de algumas mercadorias baixou até 50%.

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