Brasília, 17 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso faz 69 anos amanhã (18) e gostaria de receber de presente de aniversário, segundo seus interlocutores, o pedido de demissão do diretor-geral da Polícia Federal (PF), João Batista Campelo.
Fernando Henrique não quer assumir o ônus de demitir Campelo porque isso significaria um prejulgamento e ele tem reiterado que até agora nenhuma prova concreta chegou até ele de que o delegado nomeado tenha participado de torturas. Além do mais, isto teria um custo político muito grande.
Amigos do presidente apostam que o PSDB não divulgaria nota e sairia no ataque a Campelo, pregando a demissão dele, sem antes, pelo menos, consultá-lo. Na nota, os tucanos exigem a saída do diretor nomeado da PF. Auxiliares do presidente acreditam que o seu afastamento facilitaria muito a situação de Fernando Henrique, mas insistem que ele não pretende, pelo menos por enquanto, tomar qualquer iniciativa.
No Planalto, a avaliação é de que a posição de Campelo se agravou muito depois do depoimento do ex-padre e professor José Antônio de Magalhães Monteiro e da defesa do diretor da PF à Comissão de Direitos Humanos (CDH) da Câmara. Hoje, Campelo conversou reservadamente com o ministro-chefe da Casa Militar, general Alberto Cardoso. Campelo, no entanto, estava muito nervoso, suava muito e deixou a solenidade de abertura da Semana Antidrogas no início dos discursos, alegando que passava mal.
Fernando Henrique não quer demitir Campelo para não acusá-lo de tortura sem provas concretas. Também para não admitir uma falha em uma escolha que coube a ele fazer, com intuito de eliminar uma briga política na Polícia Federal, além de não ceder às chantagens corporativistas de parte de categoria. Por isso, está dando uma chance a ele. Só que a situação dele está complicada e tende a piorar, na medida em que fica cada vez mais difícil defender Campelo. Como Fernando Henrique embarcou hoje à noite para o Rio, qualquer decisão, só será tomada, quando regressar a Brasília. Isso não impede, no entanto, que ele apenas aceite a demissão de Campelo. A expectativa, no entanto, é de que nenhum desfecho ocorra neste final de semana.
Hoje, o secretário de Comunicação do governo, Andrea Matarazzo, lembrou que é preciso que o governo consiga acertar as "pequenas arestas" que ainda existem, referindo-se à disputa na Polícia Federal. Embora considere o cenário político complicado, Matarazzo espera que os problemas sejam superados para que as ações do governo possam começar a aparecer, já que elas estão sendo abafadas pelas sucessivas crises.

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