O vice-reitor da UnB (Universidade de Brasília), João Batista de Sousa, que assumiu interinamente o comando do hub (Hospital Universitário de Brasília), apresentou hoje (3) uma versão diferente para o pedido de demissão coletiva da diretoria do hospital.

Sousa afirmou que o pedido de demissão foi em função da pressão diante da crise financeira que o hospital enfrenta (a falta de materiais hospitalares deixou o centro cirúrgico do HUB fechado por cerca de dez dias).

A MP, que pretende criar a Ebserh (Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares), prevê também um novo modelo de gestão para os hospitais universitários que está sendo criticado pelas entidades sindicais da categoria. O comando da empresa seria do MEC (Ministério da Educação).

Sousa, no entanto, acrescentou que a saída ocorreu também porque a equipe "perdeu a credibilidade perante a comunidade". "A direção anterior conduziu o hospital da maneira em que ela entendia como correta, e trouxe alguns avanços importantes. Mas não satisfez o dia a dia da comunidade acadêmica". E ressaltou que a demissão coletiva não tem ligação com a medida provisória já que a UnB ainda não tem posição oficial sobre o assunto.

Mas, de acordo com Gustavo Romero, ex-diretor-geral do HUB, nas discussões internas a UnB apoia a criação da Ebserh. Ele destacou que os hospitais universitários estão sempre enfrentando algum tipo de crise em função do subfinanciamento, e reafirmou que a saída se deu por motivos ideológicos.

"Essa visão é minimalista. A base da nossa demissão é ideológica. A MP precisa ser discutida e a universidade precisa se posicionar se é contra ou a favor. Essa situação criava uma divergência ideológica entre nós e eles [reitoria da universidade]. Acaba forçando quem está na ponta a engolir o que o MEC propõe", disse Romero.

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