Nos 40 anos em que morou em Maringá, dom Jaime Luiz Coelho não mediu esforços para concretizar seus ideais. Cancelava solenidades quando o convidado especial não comparecia e enfrentou com tranquilidade as críticas referentes ao monumento da Catedral Nossa Senhora da Glória.
Embora distante do perfil de religioso progressista, não deixou de dar sua contribuição à luta dos chamados ‘‘despossuídos’’. Sem muito alarde, saiu em defesa do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) e ajudou a organizar uma passeata de sem-terra de Paranapoema em direção a Maringá, há cerca de dois anos.
Já nos assuntos de ordem moral, o prelado nunca escondeu seu conservadorismo. O arcebispo declarou publicamente sua indignação com a atitude da gestante D.R.G.A., 30 anos que havia entrado com pedido na Justiça Comum para a realização de um aborto.
Vale lembrar que o pedido foi feito porque exames realizados na gestante revelaram que o feto apresentava anencefalia (anomalia caracterizada pela falta de cérebro). Segundo explicações médicas apresentadas na Justiça, a criança não teria chances de vida e a continuação da gravidez poderia colocar em risco a vida da gestante.
D.R.G.A. conseguiu a autorização judicial, mas enfrentou a fúria de Dom Jaime, que saiu em defesa do feto. Em resposta à autorização da Justiça para a realização do aborto, d. Jaime lembrou que todos os envolvidos neste ato estariam excomungados automaticamente.
A excomunhão seria tanto para a gestante como para o marido, juiz, promotor, advogado, médicos, enfim, todos aqueles que direta ou indiretamente estavam ligados com o caso de aborto. A polêmica dividiu a opinião pública.

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