Maceió, 02 (AE) - Os policiais militares Adeildo Costa dos Santos, Reinaldo Correia de Lima Filho, José Geraldo e Josemar Faustino tiveram a prisão temporária pedida pelos delegados Antonio Carlos Lessa e Alcides Andrade, que investigam as mortes do empresário Paulo César Farias e de sua namorada, Suzana Marcolino. Os quatro trabalhavam como seguranças de PC. O pedido de prisão foi encaminhado às 10h30 ao juiz da 2ª Vara Especial Criminal, Alberto Jorge Correia de Lima, que deu vistas ao promotor Luiz Vasconcelos, a quem cabe dar parecer sobre o pedido de prisão temporária de 30 dias.
Os delegados que investigam o crime querem ouvir o deputado federal Augusto Farias (PFL), irmão de PC, e sua mulher Milena, que jantaram com o empresário na noite do crime. O depoimento da modelo Cláudia Dantas, que estava marcado para hoje, foi adiado para o início da próxima semana. Segundo os delegados, ela pediu para ser ouvida na quarta-feira, mas eles querem antecipar esse depoimento para não atrapalhar a conclusão do inquérito. Claudia é sobrinha do deputado federal Luiz Dantas (PSD). A modelo teve um romance com PC e foi apontada como pivô de uma suposta briga entre PC e Suzana.
Independente desses depoimetos, os delegados já anteciparam que vão indiciar os quatro seguranças, mas adiantaram que outras pessoas que estavam na casa de praia de PC no dia do crime poderão ser indiciadas. "Os seguranças serão indiciados por autoria material ou co-autoria, isto porque não sabemos ao certo qual dos quatro fez os disparos que mataram PC e Suzana", afirmou Lessa. Segundo ele, o pedido de prisão temporária deve-se ao fato de os seguranças terem prestado depoimentos contraditórios: disseram que não ouviram os tiros e sumiram com provas que poderiam contribuir para elucidar o crime - o telefone celular de Suzana sumiu antes do trabalho da perícia.
Nas nove laudas da representação do pedido de prisão temporária dos quatro seguranças, os dois delegados fizeram um breve histórico do caso, com destaque para as duas fases de inquérito policial e para os trabalhos conflitantes das duas equipes de peritos que assinaram laudos sobre o caso.
Pela manhã, antes do pedido da prisão temporária dos seguranças, os delegados Lessa e Andrade ouviram o depoimento da comerciária Cláudia Daniela da Silva, funcionária de Suzana na butique Lady Blue. Os delegados pedirão a quebra de seu sigilo telefônico para verificar a que horas ela recebeu um telefonema do cabo Reinaldo dando a notícia da morte de Suzana. Segundo a mãe de Suzana, a comerciária teria recebido esse telefonema por volta das 7 horas, quatro horas antes do arrombamento da janela do quarto, onde os corpos foram encontrados.
PC e Suzana foram encontrados mortos na manhã do dia 23 de junho de 1993, na casa de praia do empresário, em Guaxuma, Litoral Norte de Maceió. Na época, o delegado Cícero Torres foi designado pelo então secretário de Segurança Publica do Estado, coronel José de Azevedo Amaral, para presidir o inquérito sobre o caso. Dois dias após ter assumido o caso (em 26/6/96), Torres declarou para a imprensa que não tinha dúvidas: Suzana havia matado PC e depois se suicidado, com um tiro de revólver Taurus calibre 38.
Devido a polêmica sobre a versão de crime passional, o então governador Divaldo Suruagy pediu ao então ministro da Justiça, Nelson Jobim, autorização para contratar os serviços da equipe de peritos do médico legista Fortunato Badan Palhares (da Unicamp). Após a realização dos trabalhos periciais, Palhares referendou a tese da polícia alagoana, de homicídio seguido de suicídio. Quando o inquérito chegou à Justiça, sem indiciados, a promotora Failde Mendonça solicitou no laudo, desta vez assinado pela equipe do médico legista Daniel Romero Munhoz (da USP), que levantou a possibilidade de duplo homicídio.
Antes de abandonar o caso, a promotora Failde solicitou novas diligências e relacionou várias pessoas para serem ouvidas. O caso foi parar nas mãos do promotor Luiz Vasconcelos. No final do ano passado, o entao secretário de Segurança Pública de Alagoas, general José Siqueira, designou o delegado Jobson Cabral para dar cumprimento às novas diligências. Cabral ouviu alguns depoimentos, inclusive em Sao Paulo, mas entregou o caso sem avançar muito nas investigaçoes e sem questionar a tese do crime passional.
No início deste ano, o juiz Alberto Jorge Correia de Lima autorizou a reabertura das investigações, atendendo ao pedido de Vasconcelos. O atual secretário de Segurança Pública, Edmilson Miranda, que é agente policial aposentado, designou o delegado Antonio Carlos de Azevedo Lessa para presidir as novas investigações, que têm apoio do delegado Alcides Andrade de Alencar. Os dois delegados foram nomeados no dia 16 de abril. De lá para cá, eles já ouviram mais de 20 pessoas, realizaram a reconstituiçao do crime e tiveram acesso as fotos e uma fita de video que comprovam a verdadeira altura de Suzana.
Para os delegados, a diferença de 10 centímetros entre a verdadeira altura de Suzana (que tinha 1,57m) e a suposta altura que consta no laudo de Palhares (1,67m), muda a trajetória da bala e mostra que a namorada de PC foi assassinada. Além disso, o fato de não terem sido encontradas manchas de sangue na arma do crime reforça essa tese. Para os delegados, a cena do crime foi violada "criminosamente" por pessoas da família Farias, os documentos de Suzana apareceram mais tarde com a parte das assinaturas rasgada, o telefone dela desapareceu e ninguém sabe ao certo quem abriu a porta do quarto onde os corpos foram encontrados.

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