Curitiba- O oficial da Polícia Militar (PM) que preside o inquérito policial militar (IPM) sobre o caso da morte da estudante Rafaeli Ramos Lima, 21 anos, pediu à Justiça Militar a prisão dos dois soldados envolvidos com a abordagem. Caso a prisão seja concedida, os dois devem permanecer detidos no quartel. Até então, eles teriam sido apenas afastados dos trabalhos de rua. Até o fechamento desta edição, as prisões não haviam sido concedidas. Hoje eles dem ser interrogados na Delegacia de Palmeira.
A PM confirmou que um dos soldados já teria agredido um usuário de drogas, durante uma prisão, fato que o colocaria como reincidente. Segundo o coordenador da comunicação da PM, Antonio Zanatta Neto, o caso não havia sido julgado e, até o momento, não havia indícios fortes para afastá-lo dos trabalhos de rua.
Segundo o procurador de Justiça, Leonir Batisti, também coordenador do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), a informação da agressão contra o usuário de drogas só apareceu quando ele prestou esclarecimentos ao Juizado Especial, que não teria denunciado formalmente o fato.
Na noite de anteontem, um projétil de arma de fogo foi retirado do rosto de Diogo Soldi Schuli, que estava com Rafaeli no momento da abordagem. A bala estava alojada na bochecha do rapaz. A delegada Valéria Padovani,encaminhará o projétil para o Instituto de Criminalística para descobrir de qual arma foi disparado.
O presidente da Associação de Defesa dos Direitos dos Policiais Militares Ativos, Inativos e Pensionistas (Amai), coronel Elizeu Ferraz Furquim, afirmou que um dos soldados envolvidos ingressou na PM em 2006, quando 800 militares tiveram o curso de formação antecipado, que durou apenas três meses, por decisão do governo do Estado. Para o coronel, o fato reflete a má-preparação dos policiais.
Rafaeli Ramos Lima foi morta por engano, na madrugada do último domingo, em uma ação desastrosa que tinha como objetivo interceptar um carro de contrabandistas. Ela foi atingida com um tiro na cabeça após o veículo onde ela estava colidir com uma viatura que vinha no sentido contrário. Os policiais acreditavam tratar-se de um carro que havia furado dois bloqueios da policia rodoviária e abriram fogo.

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