Teresina, 14 (AE) - O Ministério Público do Piauí pediu hoje a prisão provisória de nove pessoas acusadas de participar da organização criminosa investigada no Estado. Também hoje foram afastados três juízes citados no dossiê montado a partir de 700 horas de gravação de grampos telefônicos autorizados pela Justiça Federal. Outros 14 juízes serão notificados a dar esclarecimentos sobre atrasos em processos. O diretor-geral da Polícia Federal, Agílio Monteiro, desembarcou hoje em Teresina e garantiu que haverá verba para o combate ao crime organizado no País.
Para o Piauí, serão deslocados agentes de outros Estados. O delegado que comandará as investigações, Joilson Alves, veio de Sergipe e já trabalhou em Alagoas, onde também a PF combateu o crime organizado.
O diretor-geral da PF disse que a situação no Piauí é "preocupante". Ele viajou ao Estado em companhia da chefe do Centro de Inteligência da Polícia Federal, Mária Ibrahim. Monteiro saiu do aeroporto direto para um encontro na sede da Procuradoria da República e se reuniu até por mais seis horas com delegados e o superintendente da PF no Piauí, Robert Magalhães. Ao final, o superintendente disse que até a conclusão dos trabalhos nem ele nem os delegados que trabalham no caso se pronunciarão mais a respeito do caso.
O Ministério Público pediu a prisão provisória por 30 dias do coronel Viriato Correia Lima, preso "disciplinarmente" num quartel da Polícia Militar; dos delegados Wilson Torres e Pedro Silva; de um irmão de Lima, Carlos Augusto Correia Lima, dos soldados Francisco Domingos de Sousa e Francisco Moreira do Nascimento, de José Enilson Couras, Sigifredo Audísio Pinheiro e Francisco de Assis Bezerra. Todos são acusados de compor a quadrilha liderada por Lima. No pedido de prisão, o promotor Afonso Castelo Branco enumera dezenas de crimes que eles teriam cometido.
O juiz Orlando Pinheiro, a quem deveriam ser entregues os pedidos da prisão provisória, foi afastado de suas funções em sessão secreta do Tribunal de Justiça. Onze dos treze desembargadores decidiram afastar ainda os juízes Francisco das Chagas Moreira e Marques Bastos, da cidade de Curimatá, no Sul do Piauí. Bastos está sob suspeita de facilitar a entrega de um preso, José Hugo Filho, a policiais militares, que depois o levaram para homens do esquema do ex-deputado Hidebrando Pascoal. O preso foi serrado vivo e depois teve o corpo queimado para dificultar a identificação.

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