Belém, 18 (AE) - A Ordem dos Franciscanos no Pará deu entrada hoje, no Tribunal de Justiça, em pedido de habeas-corpus em favor do frei Francineto Alves Pinheiro. Ele está preso desde ontem (17) na Delegacia de Investigações e Operações Especiais (Dioe), em Belém, acusado de participar da invasão e depredação do prédio da Secretaria de Defesa Social, durante manifestação organizada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra contra a impunidade de policiais militares acusados de matar 19 sem-terra em Eldorado dos Carajás.
O chefe da Divisão de Polícia Especializada, delegado Vicente Costa, ao qual a Dioe é subordinada, afirmou que o frei "foi preso em flagrante e vai responder por dano ao patrimônio público".
Agressão - Francineto disse, na prisão, que foi "agredido física e moralmente pelo policiais militares, além de humilhado com palavras de baixo calão". Quanto a seu envolvimento com a manifestação afirmou: "Eu estava lá para evitar violência e também para levar meu apoio espiritual aos trabalhadores rurais".
Expiatórios - O superior provincial da Ordem dos Franciscanos no Pará, Edilson Souza, acredita que Francileno deve ser solto "a qualquer momento". Para ele, tanto o frei como os outros dois presos ligados ao MST ( Luiz José Jesus Abreu e Adiel Dourado) foram apanhados pela polícia como "bodes expiatórios para dar uma satisfação ao governador Almir Gabriel e ao secretário de Defesa Social, Paulo Sette Câmara".
Souza disse que a foto publicada nos jornais mostrando Francineto ajoelhado aos pés dos policiais militares "pedindo calma" é a maior prova de que o frei não teve qualquer participação no quebra-quebra. Ele garantiu que o frei não estava na frente e nem perto do prédio depredado. "A prisão ocorreu na praça em frente ao Tribunal, no momento em que o frei tentava evitar a disseminação da violência. A polícia não teve competência para prender os verdadeiros autores daquele ato condenável de vandalismo."
O chefe dos franciscanos paraenses informou, de Santarém
no oeste do Pará, que estava viajando para Belém, onde vai acompanhar e dar "apoio moral" ao frei Francineto. A participação do frei na manifestação havia sido autorizada pela Ordem. Francineto já era conhecido no acampamento montado na praça Felipe Patroni, onde passava os dias com sem-terra.
Apoio - Perguntado sobre a participação dofrei na passeata, Souza afirmou que a Ordem dos Franciscanos "apóia o MST em sua luta por uma verdadeira reforma agrária e pela condenação dos autores do massacre de Eldorado dos Carajás"."No Pará, a Justiça está do lado dos fazendeiros e dos poderosos", afirmou.

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